Às vésperas da Copa do Mundo, o Paraguai ganhou uma grande dor de cabeça com Ramón Sosa. Após lesão sofrida contra o Cruzeiro, o Palmeiras constatou uma lesão ligamentar no tornozelo esquerdo do atacante, sem necessidade de cirurgia. Para entender a gravidade do problema, o Somos Fanáticos Brasil conversou com o Dr. Ricardo Soares, médico ortopedista do Hospital Ortopédico AACD.

Segundo o especialista, a gravidade da lesão depende diretamente do grau do comprometimento ligamentar. “O tornozelo é muito importante em relação à mudança de direção, aceleração, desaceleração e equilíbrio do atleta. Dependendo do grau da lesão e da complexidade, ela pode se tornar uma lesão mais grave”, explicou o médico.

O Dr. Ricardo Soares também destacou que existe preocupação com possíveis recaídas durante a recuperação. “Mesmo no tratamento cirúrgico ou clínico, você acaba tendo uma cicatrização dos ligamentos que pode diminuir um pouco a mobilidade e o arco de movimento. Além disso, aumenta o risco de re-lesão local”, afirmou. Neste cenário, a recuperação de Ramón Sosa passa a ser acompanhada com atenção pelo Paraguai.

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Qual o prazo de recuperação após lesão ligamentar?

O médico explicou que as lesões ligamentares no tornozelo são divididas em graus e que o tempo de recuperação varia conforme a gravidade. “As lesões de grau 1 costumam ter retorno entre 7 e 20 dias. Já as de grau intermediário, que provavelmente foi a lesão que o Sosa teve, normalmente afastam o atleta por quatro a seis semanas”, detalhou.

Com a Copa cada vez mais próxima, existe a possibilidade de uma corrida contra o tempo para acelerar o retorno do atacante. Segundo o especialista, atualmente existem tratamentos que ajudam no processo de cicatrização. “Hoje existem medicamentos e métodos de reabilitação que aceleram bastante a recuperação, além da fisioterapia direcionada e exercícios de fortalecimento”, explicou.

Ramón Sosa se lesiona contra o Cruzeiro. (Foto: Fernando Mendes/RP)

Apesar disso, o médico fez um alerta importante sobre antecipar o retorno aos gramados. “Acelerar o processo aumenta o risco de uma nova torção, porque o atleta ainda não está com a estabilidade totalmente recuperada do tornozelo. Isso pode causar recidiva da lesão, dor crônica, edema persistente e até sobrecarga em outras articulações na tentativa de compensação”, completou.

Gramado sintético interfere nas lesões?

Outro tema abordado durante a entrevista foi a possível relação entre o gramado sintético e a lesão sofrida por Ramón Sosa. Segundo o Dr. Ricardo Soares, ainda não existe comprovação científica definitiva sobre um aumento de lesões ligamentares neste tipo de piso.

“Não existe consenso na literatura mostrando que o gramado sintético aumenta o risco de lesão ligamentar no tornozelo ou no joelho”, afirmou. Apesar disso, o especialista explicou que muitos atletas relatam desconforto maior após partidas disputadas neste tipo de gramado, como da Arena Barueri, segunda casa do Palmeiras