Cinco anos de trabalho
O Monumental ficou pintado de vermelho e preto neste sábado (29). O Flamengo ganhou do Palmeiras por 1 a 0 e levou a Libertadores de 2025. O único gol saiu da cabeça de Danilo, aos 22 minutos do segundo tempo. Em um jogo fechado, essa foi a chance decisiva.
Depois da partida, todos esperavam a coletiva de Abel Ferreira. Perguntaram se ele continuaria no cargo após seu terceiro vice na competição (2022 e 2025). O português respondeu sem rodeios:
“Felizmente não sou julgado só pelo placar. Se fosse, hoje eu teria que sair. O clube olha também para a formação do elenco, a valorização e venda de atletas e os títulos já conquistados. Tudo conta. Se trocássemos de técnico a cada derrota, eu já teria ido embora antes.”
Em janeiro, Abel completa cinco anos no comando do Palmeiras, algo raro no Brasil. No período, ergueu dois Mundiais (2022 e 2024), duas Libertadores (2020 e 2021), dois Brasileiros (2023 e 2024), três Paulistas e uma Copa do Brasil. Em 330 jogos, tem aproveitamento superior a 70%.
Mesmo assim, 2025 foi seu ano mais irregular. O time caiu nas oitavas da Copa do Brasil para o Corinthians, perdeu o Paulista também para o maior rival e está atrás do Flamengo no Brasileirão. A derrota para o clube carioca, diante de 75 mil torcedores em Lima, aumentou a insatisfação de parte da torcida.
Elenco e finanças
Abel sempre fala em sustentabilidade. Sob sua gestão, o clube arrecadou quase € 200 milhões (R$ 1,2 bilhões) vendendo jogadores como Endrick (Real Madrid), Danilo (Nottingham Forest) e Estêvão (Chelsea). Para repor, trouxe nomes pontuais: Richard Ríos, José Manuel López e Kevin Macedo, de 19 anos, comprado do Cruzeiro por € 12 milhões (R$ 74,2 milhões).
Segundo o departamento financeiro, o superávit de 2021 a 2024 (R$ 420 milhões) permitiu reformar parte da Academia de Futebol e ampliar a equipe sub-17. “Entregamos futebol de alto nível e ativos valiosos. Isso pesa tanto quanto vencer”, diz Abel.
Relação entre Abel e a diretoria
A presidente Leila Pereira não cravou a permanência, mas elogiou o trabalho do Abel Ferreira: “É duro perder, mas não se descarta um projeto por 90 minutos. Vamos avaliar com calma.”
