O ex-presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, acionou a Justiça para impedir o Real Madrid. Os Merengues queriam ter acesso às documentações econômicas internas dos Culés, mas especialmente ao caso Negreira. A informação foi revelada pelo Mundo Deportivo, jornal da Espanha.
Vale lembrar que o pedido do Real Madrid foi apresentado em 22 de dezembro ao Juizado de Instrução número 1 de Barcelona. O requerimento solicitava acesso a todos os documentos internos do Barcelona entre 2003 e 2021. Isto é, informações sobre 18 temporadas. Porém, a solicitação foi protocolada em pleno período natalino, reduzindo o tempo de resposta.
Mas, diante da situação, Bartomeu recorreu pessoalmente por meio de seu advogado, Josep Maria Fuster-Fabra, apresentando oposição. Com isso, na segunda-feira (02), a juíza Alejandra Gil acatou o recurso e rejeitou a solicitação do Real Madrid. A magistrada entendeu que o pedido extrapolava o objeto da investigação.
Defesa do Barcelona aponta risco de exposição de informações confidenciais
Além disso, em declarações ao jornal AS, Bartomeu explicou os motivos que o levaram a agir. “Não podia permitir que o Real Madrid tivesse acesso às contas do Barcelona”, afirmou o ex-dirigente, ao justificar a decisão de impedir que um rival direto tivesse acesso a dados sensíveis do clube.
Inclusive, no documento apresentado à Justiça, a defesa sustentou que “permitir o acesso a essa documentação significaria entregar informações confidenciais a um concorrente direto”. Ainda segundo o texto, a solicitação incluía dados que iam além do caso Negreira.
No entanto, caso a medida fosse aceita, o Real Madrid teria acesso a relatórios financeiros, estratégias de contratações, planos de investimento e informações fiscais. Além de detalhes de processos judiciais como o caso Neymar, contratos de patrocínio, dados patrimoniais e informações sobre o projeto do Espai Barça.
Decisão judicial mantém investigação em curso
Entretanto, Bartomeu demonstrou surpresa com a ausência de iniciativa do próprio Barcelona para barrar a medida. Isto é, afirmando que decidiu agir após seu advogado alertar os serviços jurídicos do clube. Após a decisão judicial, o atual presidente, Joan Laporta, comemorou publicamente o desfecho.
Laporta declarou que “a Justiça fechou a porta na cara do Real Madrid”, durante a partida contra o Albacete, pelas quartas de final da Copa do Rei. Apesar da negativa principal, a juíza autorizou a oitiva do delegado do time principal, Carles Naval, marcada para 10 de abril. Inclusive, data em que o Barcelona também prestará depoimento como pessoa jurídica.
