Domínio sem resultado e o contra-ataque mortal
Logo após perder por 1 × 0 para o Mônaco, Luis Enrique deu uma entrevista que virou um manual dos erros do PSG na 14ª rodada da Ligue 1. Ele apresentou números que explicam o tropeço — 56,6 % de posse de bola, 17 chutes e nenhum gol — e criticou a falta de atenção e de pontaria na parte final do campo. “Com tantos erros, não dá para ganhar”, resumiu.
O PSG trocou 504 passes contra 361 do Mônaco, cobrou quatro escanteios e pressionou a saída de bola durante boa parte da partida. A tática até forçou perdas de bola do rival, mas parou na defesa bem organizada de Adi Hütter.
Salisu e Thilo Kehrer ficaram juntos lá atrás, fechando os espaços e empurrando o Paris a arriscar chutes de longe. Assim, só quatro bolas chegaram de fato ao goleiro Hrádecký, que defendeu todas.
Kvaratskhelia, atuando pela esquerda, foi quem mais criou perigo e arrancou aplausos da torcida. Porém, faltou o passe decisivo — prova disso foi o último lance, já aos 90 + 7, quando Vitinha cruzou e João Neves cabeceou para fora.
Mesmo com apenas 43,4 % de posse, o Mônaco foi preciso quando recuperou a bola. O gol saiu aos 68 minutos e resumiu o plano de Hütter: Camara roubou a bola, Golovin lançou em profundidade e Minamino concluiu antes de Marquinhos e Pacho conseguirem se organizar. A defesa do PSG, lenta na recomposição e sem Hakimi (suspenso), falhou na cobertura pelas laterais.
Meio-campo do PSG: muito toque, pouca intensidade
Rúben Neves e Vitinha controlaram o ritmo do Paris com passes curtos e longos, mas, após 60 minutos, faltou energia, segundo o próprio Luis Enrique. “Podemos mandar no jogo, mas o futebol se decide nas áreas”, criticou.
O dado que sustenta a reclamação: mesmo com 64 toques a mais na zona ofensiva, o PSG acertou menos chutes no gol que o Mônaco (4 × 5). Do lado monegasco, Teze e Camara fecharam o meio, cobriram os laterais e cometeram faltas estratégicas — levaram três amarelos, mas mantiveram o esquema intacto.
Goleiros e zaga
O destaque da noite foi o goleiro Hrádecký, do Mônaco, que fez quatro defesas importantes, a principal em chute cruzado de Kvaratskhelia. Pelo PSG, Chevalier também defendeu quatro bolas, mas não alcançou a finalização certeira de Minamino, que passou rente à trave.
Sem Hakimi e ainda sem Nuno Mendes, Luis Enrique improvisou Warren Zaïre-Emery como ala direita. O jovem ajudou na construção, mas não deu profundidade; na esquerda, Hernandez foi discreto. A falta de laterais ofensivos deixou o time preso a jogadas pelo meio, facilmente congestionadas.
