Quando Enner Valencia decidiu seguir a carreira no Boca Juniors, eu enxerguei a transferência como uma oportunidade interessante para um atacante que já conhece muito bem a pressão do futebol sul-americano. Sua passagem pelo Internacional teve bons momentos, mas também deixou a sensação de que poderia ter entregado ainda mais. Na Argentina, porém, ele encontrou outro cenário e precisou ter paciência para começar a construir seu espaço.
O início realmente não foi daqueles que chamam atenção pelos números. O equatoriano estreou contra o Recoleta pela Copa Sul-Americana depois de passar por um período específico de preparação, consequência de mais de um mês sem atuar. Depois disso, começou a receber oportunidades gradualmente. Foram sete partidas considerando diferentes competições até finalmente conseguir balançar as redes com a camisa azul e amarela.
Enner precisa de tempo para render no Boca Juniors
Na minha visão, esse contexto precisa ser considerado antes de qualquer avaliação mais pesada. Estamos falando de um atacante com uma idade já avançada e chegando a um futebol diferente e sem ritmo ideal de competição. Pouco antes do primeiro gol, Rodolfo Arruabarrena já havia destacado que Valencia estava evoluindo fisicamente após conseguir completar uma partida inteira pela primeira vez em 77 dias. Para mim, isso mostra que sua adaptação nunca seria imediata.

O gol diante do Central Córdoba pode representar justamente a mudança que ele precisava. Valencia começou como referência ofensiva e marcou aos 11 minutos, aproveitando cruzamento rasteiro de Dylan Gorosito para ampliar a vantagem do Boca, que venceu por 3 a 1. Pode parecer apenas um gol em uma partida de campeonato, mas considero esse tipo de momento especialmente importante para um centroavante que chega cercado de expectativa.
Experiência pode ser importante para o Boca
Eu também não esperaria de Enner exatamente o mesmo jogador que passou pelo Internacional alguns anos atrás. A idade naturalmente exige uma adaptação na maneira de atuar, e talvez seja justamente aí que o Boca consiga aproveitar melhor sua experiência. Ele ainda consegue atacar a área, proteger a bola e identificar espaços próximos do gol. Não precisa participar de todas as ações para conseguir ser importante durante uma partida.
A concorrência também torna essa história interessante. Valencia não chegou a um elenco sem alternativas para o comando do ataque e, por isso, precisará aproveitar cada sequência recebida. Contra o Central Córdoba, foi apenas sua segunda partida como titular pelo Campeonato Argentino. Para mim, o primeiro gol não garante uma posição, mas certamente muda a maneira como os próximos jogos serão encarados pelo atacante e também pela comissão técnica.
Outro ponto que me chama atenção é a própria percepção do jogador sobre esse processo. Depois de finalmente marcar, o equatoriano reconheceu que ainda está se adaptando ao Boca, ao grupo e ao trabalho de Arruabarrena, além de afirmar que vem se sentindo melhor a cada partida. É justamente essa evolução que eu observaria agora. Mais importante do que desencantar é transformar esse gol em confiança e conseguir apresentar uma sequência maior.
Por fim, ainda considero cedo para definir se a passagem de Enner pelo Boca Juniors será um sucesso. O começo teve poucos minutos, necessidade de recuperação física e uma espera maior pelo primeiro gol, mas agora existe um ponto de partida diferente. Aos 36 anos, ele não precisa carregar sozinho o ataque xeneize e deve acostumar com o time aos poucos.




