A Copa do Mundo de 2026 já registra seis gols originados em cobranças de lateral, igualando o total somado das edições de 2010, 2014, 2018 e 2022. Ao mesmo tempo, o torneio apresenta a menor média de laterais por jogo, segundo o levantamento da Opta. As seleções passaram a aproveitar esse fundamento para criar oportunidades de ataque.
A República Tcheca marcou duas vezes após laterais longos, com Ladislav Krejcí e Michal Sadílek. Já a Tunísia balançou as redes depois que um lateral foi afastado pela defesa da Suécia, mas a bola voltou à área antes da finalização de Omar Rekik. A Alemanha marcou com Leroy Sané após uma cobrança de David Raum. Estados Unidos e Turquia também chegaram ao gol com laterais.
De acordo com a Opta, a Copa de 2026 igualou a segunda maior marca de gols originados em laterais desde o início da série histórica, em 1966. Apenas a Copa de 1994 registrou um número maior, enquanto a de 2002 também terminou com seis gols. A competição ainda apresenta um crescimento expressivo nas jogadas criadas a partir dos laterais longos.
Até o momento, foram registradas 39 cobranças que terminaram em pelo menos uma finalização. O número supera as edições anteriores: foram 12 em 2022, 19 em 2018, 10 em 2014, 25 em 2010 e 17 em 2006. A edição soma 177 laterais longos lançados para dentro da área adversária em 73 partidas, média de 2,4 por jogo. Em 2022 e 2018, a média foi de 1,6; em 2014, de 1,3; e em 2010, de 2,3.
Laterais longos ganham espaço como estratégia
O Canadá liderou o uso dos laterais longos durante a fase de grupos. A equipe realizou 20 cobranças diretamente para a área adversária, quase o dobro da Nova Zelândia, segunda colocada no levantamento com 12. Nas oitavas de final, os canadenses ainda utilizaram outras cinco jogadas desse tipo diante da África do Sul. Mas, a República Tcheca foi a seleção mais eficiente.
Com isso, os tchecos registraram oito cobranças de lateral que terminaram em finalizações, pelo menos três a mais do que qualquer equipe. Vale destacar que o estudo considera como lateral longo toda cobrança direcionada para a área adversária com percurso mínimo de 20 metros antes do próximo toque na bola. Dos seis gols nesta Copa, três nasceram em laterais longos.
O levantamento também lembra que, na Copa de 2006, apenas a Tunísia não tentou ao menos um lateral longo para a área adversária. Isto é, mostrando que esse recurso já fazia parte do repertório das seleções. Porém, o crescimento observado em 2026 chama atenção porque, nas quatro edições anteriores, nenhuma havia registrado mais de dois gols originados em cobrança de lateral.
Nova regra da FIFA pode explicar a mudança
Embora os laterais estejam gerando mais perigo, o número total de cobranças diminuiu. Após 73 partidas, a Copa do Mundo registra média de 36,8 laterais por jogo. Desde o início do século, nenhuma edição havia ficado abaixo da marca de 40 cobranças por partida. Em 2010, por exemplo, a média chegou a 50,1.
Uma das possíveis explicações está na regra adotada pela FIFA para a Copa de 2026. Portanto, caso o árbitro considere que a cobrança está demorando além do permitido, inicia uma contagem visual de cinco segundos. Se a bola não for colocada em jogo dentro desse período, a posse passa para a equipe adversária.
Além disso, os números mostram que as equipes passaram a executar os laterais mais rapidamente. O tempo médio de cada cobrança caiu de 14,8 segundos na Copa de 2018 para 15,7 segundos em 2022 e apenas 13 segundos nesta edição. Essa urgência pode estar incentivando decisões mais ofensivas e reduzindo o tempo de organização das defesas, conforme o Opta.
Sendo assim, o estudo ainda faz uma observação ao lembrar que a Copa de 1994, também disputada nos Estados Unidos, continua sendo a edição com mais gols originados em laterais. A tendência indica que conceder um lateral pode deixar de ser uma alternativa defensiva segura, já que as seleções estão transformando em uma das estratégias ofensivas mais eficientes da competição.




