Os meiões furados voltaram a chamar atenção durante a Copa do Mundo. Em diferentes partidas, jogadores apareceram com cortes na parte traseira da peça, transformando um hábito já conhecido há pelo menos oito anos em uma das curiosidades mais observadas pelos torcedores, conforme o The Athletic.
A derrota da Austrália para os Estados Unidos voltou a destacar o tema. Vários jogadores australianos entraram em campo com os meiões modificados. Com isso, a cena reacendeu uma dúvida entre os fãs: por que atletas fazem cortes nos meiões? A explicação mais comum está ligada ao conforto.
De acordo com o The Athletic, os meiões costumam ser fabricados com poliéster, material que mantém o formato da peça e absorve menos água. Os atletas consideram o tecido apertado na região das panturrilhas e tentam reduzir essa sensação.

Inglaterra e Croácia pela Copa do Mundo. Foto: Michael Steele/Getty Images
Jogadores acreditam que os cortes aumentam o conforto
Entre os profissionais, a teoria é que os furos aliviam a pressão. Inclusive, muitos acreditam que isso favorece a circulação sanguínea, reduz o risco de cãibras e oferece maior liberdade de movimento. Há também um componente psicológico.
Sendo assim, o ex-atacante do West Ham, Frank Nouble, resumiu a lógica adotada pelos jogadores. Em entrevista ao The Athletic em 2023, afirmou: “Você fica bem, se sente bem e joga bem.” Para ele, o principal objetivo é alcançar o máximo de conforto possível.
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Especialistas apontam falta de comprovação científica
No entanto, especialistas da área médica afirmam que não existem evidências científicas que comprovem os benefícios dos cortes nos meiões. Raj Brar, em entrevista ao Tifo Football, apontou que a prática não possui respaldo médico como método de prevenção.
O profissional explicou que uma das formas reconhecidas pela medicina para aliviar a pressão é justamente o uso de meias de compressão durante os períodos de recuperação. Além disso, Allan Vad Nielsen, ex-CEO da Hummel, informou que algumas marcas produzem meiões mais ajustados para destacar logotipos e elementos visuais.

Ao mesmo tempo, as novas tecnologias já oferecem áreas específicas de ventilação, amortecimento e compressão para aumentar o conforto dos atletas. No entanto, nem todos no futebol estão convencidos da eficácia da tendência.

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Gary Neville questiona necessidade dos cortes nos meiões
Durante participação no podcast Stick to Football, em 2024, o ex-zagueiro da Inglaterra e do Manchester United Gary Neville colocou em dúvida a necessidade de modificar os meiões. Com isso, argumentou que jogadores possuem acesso a equipamentos personalizados e centenas de opções.
Para ele, é difícil acreditar que fabricantes e patrocinadores não sejam capazes de fornecer meiões mais confortáveis, uma vez que exista uma demanda real. Já o secretário do Northwood, Alan Evans, revelou ao The Athletic que o clube precisou adotar uma medida específica para lidar com os constantes cortes nos meiões.
Isto é, os próprios jogadores passaram a arcar com o custo das peças danificadas. Mesmo sem consenso entre atletas, médicos, fabricantes e ex-jogadores, os meiões furados seguem presentes nos gramados. Na Copa do Mundo, a tendência voltou a ganhar visibilidade.




