Quando Vitor Roque voltou ao futebol brasileiro para defender o Palmeiras, uma das minhas principais expectativas era vê-lo recuperar algo que havia perdido durante sua passagem pelo Barcelona: confiança. O atacante precisava novamente se sentir importante, jogar com frequência e recuperar aquela agressividade que chamou tanta atenção antes de sua transferência para a Europa.
Durante boa parte de sua trajetória no Verdão, acredito que esse processo aconteceu. Vitor recuperou protagonismo, voltou à Seleção Brasileira e teve participação importante na conquista do Campeonato Paulista. O problema é que a fase atual começa a levantar uma preocupação que, na minha visão, vai além dos gols que não estão saindo nas últimas partidas.
Para mim, o camisa 9 precisa tomar cuidado para não voltar a carregar para dentro de campo a mesma frustração que tornou sua passagem pelo Barcelona tão complicada. Não estou dizendo que as duas situações são iguais, porque existem diferenças enormes entre elas. A comparação está muito mais relacionada à maneira como as dificuldades podem começar a afetar sua confiança.

Vitor Roque segue respaldado no Palmeiras
Na Espanha, Vitor chegou aos 18 anos, encontrou poucas oportunidades e disputou apenas 16 partidas, sendo somente duas como titular. Anos depois, ele próprio reconheceu que talvez não estivesse preparado mental e fisicamente para aquele desafio. No Palmeiras, o cenário é completamente diferente, principalmente porque já mostrou que consegue ser decisivo e possui muito mais respaldo.
O clube continua tratando o centroavante como uma peça importante e entende que a fase atual não apaga aquilo que ele já conseguiu entregar desde seu retorno ao Brasil. É justamente por isso que considero importante separar uma queda de rendimento de uma crise maior. Ainda assim, existe um ponto de ligação entre os dois períodos que merece atenção: a maneira como a dificuldade parece começar a afetá-lo.
Abel Ferreira tornou essa questão pública depois da classificação contra o Santos pela Copa do Brasil. O treinador afirmou que a linguagem corporal de Vitor Roque não estava sendo a melhor e revelou que deseja voltar a enxergar alegria no atacante durante os treinamentos. Para o português, o rendimento envolve aspectos técnicos, táticos, físicos e também mentais.
Essa declaração me remete ao que aconteceu durante sua passagem pelo futebol espanhol. Raphinha já revelou que o companheiro chegou a chorar em um treinamento depois de cometer erros em sequência, justamente em um período marcado por dúvidas sobre sua permanência no clube catalão. São contextos diferentes, mas que mostram como a confiança pode influenciar diretamente seu desempenho.
Vitor Roque precisa superar falta de confiança
É justamente aí que vejo o maior desafio de Vitor neste momento. Uma sequência ruim faz parte da carreira de qualquer centroavante, principalmente de alguém que convive diariamente com a cobrança por gols. O cuidado precisa ser para que essa fase não se transforme novamente em uma batalha contra ele mesmo. Recuperar a leveza destacada por Abel pode ser tão importante quanto voltar a balançar as redes.




