Quando olho para o início deste novo ciclo da Seleção Brasileira pensando na Copa do Mundo de 2030, considero que poucos jogadores chegam em uma situação tão interessante quanto Raphinha. Aos 29 anos, o atacante já possui experiência suficiente para deixar de ser apenas mais uma opção ofensiva e assumir responsabilidades maiores dentro do grupo. A diferença é que essa nova caminhada começa justamente quando ele vive um momento de enorme confiança no Barcelona e alcança um patamar diferente na carreira.
Acredito que aquilo que vem acontecendo na Espanha ajuda bastante a explicar essa mudança. O brasileiro começou a temporada 2026/27 com seis gols nas quatro primeiras rodadas do Campeonato Espanhol, assumindo a liderança da artilharia da competição. Não estamos falando apenas de uma boa sequência de partidas, mas de um jogador que passou a ter participação ainda maior no ataque e encontrou novas maneiras de ser decisivo. O Barcelona venceu seus quatro compromissos e marcou 17 vezes nesse período.
Barcelona encontrou uma nova versão do brasileiro
Para mim, existe outro detalhe que torna esse começo ainda mais interessante. Com a saída de Robert Lewandowski, Hansi Flick aproximou o camisa 11 da área e passou a utilizá-lo como referência ofensiva. A mudança aumentou sua presença em zonas de finalização sem eliminar características que sempre fizeram parte de seu jogo, como movimentação, intensidade e participação na pressão. Os seis gols em quatro partidas mostram como essa adaptação rapidamente começou a produzir resultados.

Só que não são apenas os números que colocam o atacante em outro estágio dentro do clube catalão. Nesta temporada, ele também recebeu a braçadeira de capitão e se tornou o primeiro brasileiro a ocupar oficialmente essa condição de maneira fixa no Barcelona. Considero esse reconhecimento tão importante quanto qualquer estatística, porque mostra aquilo que companheiros e comissão técnica enxergam diariamente. Hoje, sua influência já ultrapassa aquilo que consegue produzir com a bola.
Momento pode mudar seu papel na Seleção
É justamente essa versão que acredito que a Seleção Brasileira precisa tentar aproveitar daqui para frente. Carlo Ancelotti deixou claro que pretende iniciar uma renovação depois da última Copa do Mundo, observar jogadores mais jovens e preparar uma nova geração para 2030. Só que qualquer processo desse tamanho também precisa de atletas mais experientes para oferecer equilíbrio. Nesse cenário, vejo o atual capitão do Barça como alguém capaz de ocupar uma posição importante dentro do novo grupo.
Por fim, o grande desafio, na minha visão, será transportar para a camisa amarela a mesma confiança demonstrada no futebol espanhol. No Barcelona, o atacante possui um papel muito claro, recebe liberdade para atacar diferentes espaços e se transformou em uma das referências do time de Flick. Na Seleção, nem sempre conseguiu apresentar o mesmo nível de protagonismo. Esse talvez seja um dos principais pontos que Ancelotti terá de trabalhar durante os próximos anos.




