Estêvão vive um daqueles momentos que considero importantes para entender até onde um jovem jogador consegue evoluir na Europa. Talento nunca pareceu ser a grande discussão em torno do brasileiro, mas o cenário mudou com a chegada de Xabi Alonso ao Chelsea.
O treinador implementa suas próprias ideias e, naturalmente, não existe vaga garantida simplesmente pelo potencial que o atacante mostrou anteriormente. Agora, começa praticamente uma nova disputa dentro do clube para que ele consiga mostrar seu futebol.
Os primeiros números da temporada ajudam a explicar essa situação. O ex-Palmeiras participou de três das quatro primeiras partidas do Chelsea em todas as competições, somando apenas 96 minutos, média de 32 por jogo. Foi titular somente uma vez. Depois de retornar de uma lesão muscular importante, ele precisa recuperar espaço em um elenco no qual Cole Palmer e Morgan Rogers aparecem como concorrentes fortes no setor ofensivo.
Estêvão precisa mostrar mais para virar titular
Para mim, porém, existe uma diferença importante entre estar sem espaço e não fazer parte dos planos. Xabi tratou de deixar isso claro ao falar publicamente sobre o brasileiro. Disse que conta 100% com o velocista, destacou seu potencial, elogiou sua atitude nos treinamentos e explicou que ele ainda passa por um processo de adaptação e aprendizado. Portanto, não parece existir uma porta fechada. Existe uma cobrança para que ele mostre diariamente que merece atravessá-la.

E é justamente aí que acredito estar o grande desafio. Xabi Alonso é um treinador que exige bastante entendimento do sistema, movimentação sem a bola e disciplina para executar funções específicas. Seu modelo no Chelsea tem utilizado estruturas com três defensores, alas bastante participativos e jogadores ofensivos ocupando espaços interiores. Não basta receber a bola, partir para cima do marcador e decidir individualmente. É necessário compreender onde estar em cada momento da jogada.
Estêvão precisa entender exatamente o que Xabi quer
Existe, ao mesmo tempo, uma questão interessante sobre sua posição. O próprio treinador afirmou que sabe onde consegue extrair o melhor do jovem: como ponta, partindo do corredor e entrando por dentro. Xabi reconheceu que Estêvão não está acostumado a atuar como ala e acompanhar o adversário por tantos metros, afastando, pelo menos em suas declarações mais recentes, a ideia de que essa precisa ser sua função definitiva.
Isso não significa, contudo, que o brasileiro possa ignorar as responsabilidades exigidas pelo novo comandante. Na minha visão, quanto mais rápido compreender o que o técnico espera dele com e sem a bola, maiores serão suas possibilidades de transformar entradas durante os jogos em uma sequência entre os titulares.




