Allan chegou ao Manchester City cercado por uma expectativa que considero completamente natural. Não estamos falando apenas de mais um jovem brasileiro desembarcando na Europa. O clube inglês investiu 40 milhões de euros na contratação do jogador revelado pelo Palmeiras e assinou com ele até 2031, mostrando que existe um projeto importante para seu desenvolvimento.
Mas o valor da negociação não significa que o brasileiro terá espaço imediato com Enzo Maresca. Pelo contrário. Para mim, o começo dessa trajetória passa justamente por entender que ele deixou de ser uma das principais peças de um grande clube brasileiro para entrar em um elenco no qual praticamente todas as posições apresentam concorrência de altíssimo nível.
O primeiro grande desafio que enxergo para o ex-Palmeiras é encontrar minutos. Ele chega principalmente para atuar pela direita, embora sua versatilidade permita que seja utilizado no meio-campo, como segundo atacante e até em outras funções. O próprio clube destacou essa capacidade no anúncio do brasileiro, algo que pode ajudá-lo bastante neste início.
Essa polivalência pode ser uma de suas principais armas na Inglaterra. Em vez de enxergar apenas uma disputa específica pela ponta direita, vejo como fundamental mostrar para Maresca que consegue solucionar problemas diferentes durante uma partida. Quanto mais funções dominar dentro do sistema do treinador, mais caminhos terá para entrar na rotação e conquistar oportunidades.
Concorrência pode prejudicar Allan
Outro ponto importante é que os Citizens mudaram bastante. Maresca assumiu o clube nesta temporada e recebeu diversos reforços, enquanto Allan chegou em uma janela que também teve nomes como Elliot Anderson, Ayyoub Bouaddi, Iliman Ndiaye e Enzo Fernández. Portanto, não é somente o brasileiro que precisa convencer um novo treinador de que merece espaço.

Por isso, vejo a adaptação tática como outra etapa fundamental. O atacante se destacou no Palmeiras principalmente pela capacidade de partir para cima, driblar e criar desequilíbrios, chegando a definir o duelo individual como um de seus pontos fortes. Agora, precisará preservar aquilo que chamou a atenção na América do Sul enquanto acrescenta novas características ao seu futebol.
Na minha visão, esse talvez seja o aspecto mais interessante de sua passagem pela Inglaterra. Allan não pode perder a coragem de buscar o adversário no mano a mano, porque essa característica pode diferenciá-lo, mas terá de entender melhor quando acelerar, quando circular a bola e como participar de uma estrutura coletiva mais exigente. É justamente nesse equilíbrio que pode acontecer sua evolução.
Adaptação rápida será crucial
Por fim, também existe a adaptação à Premier League. Aos 22 anos, ele acaba de deixar o futebol brasileiro e encontrará diferenças de intensidade, ritmo e velocidade nas tomadas de decisão. Não considero razoável exigir que reproduza imediatamente tudo aquilo que fazia no Palmeiras. Seu primeiro objetivo deve ser entrar na rotação, aproveitar cada oportunidade e, aos poucos, mostrar para que pode conquistar um espaço cada vez maior.




