Quando um jogador da base do Palmeiras começa a aparecer no profissional, eu sempre tento evitar comparações imediatas com Endrick ou Estêvão. Nem toda Cria da Academia precisa seguir exatamente o mesmo caminho para mostrar que possui qualidade. No caso de Heittor, porém, existe um detalhe que chama minha atenção: antes mesmo de ganhar uma sequência com Abel Ferreira, o atacante já havia despertado interesse importante no mercado europeu.
O Grupo City chegou a apresentar uma proposta próxima de 20 milhões de euros pelo jovem de 18 anos, inicialmente pensando em levá-lo ao Girona. Para mim, uma oferta desse tamanho por alguém que sequer estava consolidado no time principal mostra como seu potencial já era observado fora do Brasil. O Palmeiras decidiu mantê-lo e, alguns meses depois, começa a encontrar espaço para testar essa aposta dentro do próprio elenco.
O mais interessante é que essa transição está acontecendo sem atropelar etapas. Heittor já participou de cinco partidas pelo profissional, contra Coritiba, Atlético-MG e Mirassol pelo Brasileirão, Santos pela Copa do Brasil e agora LDU pela Libertadores. Aos poucos, Abel começa a colocá-lo em ambientes diferentes e com níveis de pressão cada vez maiores. Na minha visão, essa é uma maneira bastante saudável de descobrir até onde ele pode chegar.

A oportunidade diante da LDU talvez tenha sido o sinal mais interessante até agora. Abel fez apenas uma substituição durante a vitória por 1 a 0 e escolheu justamente Heittor para substituir Vitor Roque aos 33 minutos do segundo tempo. O garoto ainda ficou perto do primeiro gol pelo profissional ao aparecer na área e cabecear para fora após cruzamento de Giay. Não marcou, mas mostrou personalidade em sua estreia na Libertadores.
Momento de Vitor Roque pode abrir novas oportunidades
É justamente nesse ponto que eu começo a olhar para a situação de Vitor Roque. Não acredito que seja correto colocar toda a responsabilidade sobre um atacante que passou por cirurgia no tornozelo e ficou meses afastado, mas também não dá para ignorar seu momento. São sete gols em 30 partidas na temporada, e o próprio Abel já falou publicamente sobre a necessidade de recuperar a confiança do camisa 9.
Isso não significa, para mim, que Heittor esteja pronto para assumir a posição ou que deva passar imediatamente à frente de Vitor Roque. Existe uma diferença enorme de experiência entre os dois. O que muda é a possibilidade de Abel olhar para o banco e enxergar uma alternativa diferente. Se o titular não atravessa sua melhor fase, os minutos que normalmente seriam apenas de descanso podem se transformar em oportunidades importantes para o garoto.
Também gosto das características que o jovem oferece para esse cenário. Ele próprio já se definiu como um atacante de potência, velocidade e finalização, citando Endrick como uma referência pelo estilo mais explosivo. São qualidades interessantes para alguém que entra no segundo tempo, principalmente quando encontra uma defesa mais desgastada e consegue atacar espaços. Foi justamente seu desempenho na base que começou a despertar a atenção do Palmeiras e do mercado internacional.
Atacante precisa aproveitar as chances com Abel
Por isso, vejo os próximos jogos como uma oportunidade muito interessante para Heittor. Não colocaria sobre ele a obrigação de resolver os problemas ofensivos do Palmeiras, muito menos faria qualquer comparação definitiva com outras grandes revelações recentes do clube. Mas, se Abel continuar oferecendo minutos e Vitor Roque demorar para recuperar seu melhor futebol, existe uma porta aberta. E talvez o Palmeiras descubra dentro de casa um atacante que a Europa já estava disposta a pagar milhões para levar.




