A contratação de Anthony Gordon pelo Barcelona foi construída longe dos holofotes. O diretor esportivo Deco conduziu pessoalmente parte das negociações e adotou uma estratégia de sigilo para evitar que o interesse no atacante inglês provocasse uma disputa com outros clubes.
O movimento chama atenção justamente pela forma como foi conduzido. Enquanto outros nomes apareciam nas especulações envolvendo o ataque do Barça, Deco avançava nas conversas com Gordon e seus representantes. O resultado foi uma contratação de 70 milhões de euros fixos (cerca de R$ 417 milhões), além de 10 milhões em variáveis (R$ 297 milhões), junto ao Newcastle.
Deco conduziu a negociação em segredo
O primeiro movimento aconteceu em 21 de abril, quando Deco viajou discretamente a Londres para se reunir com os representantes de Gordon, Will Salthouse e Adam Dugdale. O dirigente apresentou o projeto do time catalão e buscou entender as condições necessárias para avançar com a transferência. Até aquele momento, o estafe do atacante acreditava que o clube poderia estar interessado em outro jogador.
Depois do contato inicial, Deco apresentou o nome a Hansi Flick. O técnico alemão avaliou o perfil de Gordon e aprovou a contratação, chegando a conversar pessoalmente com o atacante. O contato foi importante para convencer o inglês de que ele poderia ter um papel relevante na equipe.
A negociação avançou novamente em 26 de maio, quando Deco retornou a Londres. Enquanto o interesse do Barça por outros atacantes dominava as especulações do mercado, o dirigente se reuniu novamente com os representantes do atleta e conseguiu encaminhar a documentação. A estratégia permitiu que o negócio avançasse sem a exposição habitual de uma transferência desse tamanho.

O sigilo virou uma arma no mercado
A operação também representa uma mudança na estratégia do Barcelona para o mercado. Depois de temporadas marcadas por restrições financeiras, o clube conseguiu operar dentro da regra 1:1 de La Liga e teve maior margem para investir. Gordon custou R$ 417 milhões, com mais R$ 297 milhões previstos em bônus por metas.
O ponto mais interessante, porém, está na maneira como Deco evitou um possível leilão. Ao manter Gordon fora do centro das especulações e deixar outros nomes ocuparem espaço no noticiário, o Barcelona conseguiu negociar com mais tranquilidade e reduzir a possibilidade de interferência de concorrentes.
O resultado foi uma contratação que surpreendeu parte do mercado e rapidamente ganhou importância dentro das mudanças do elenco. Gordon passou a trabalhar sob o comando de Flick e começou a mostrar justamente as características que fizeram o Barcelona apostar nele. Mais do que o valor investido, o negócio representa um exemplo de como Deco transformou o sigilo em uma ferramenta para conduzir o mercado do Barcelona.




