A disputa entre FIFA e UEFA chegou a uma nova etapa nos Estados Unidos. Em documentos apresentados à Justiça americana, a entidade máxima do futebol mundial acusou a confederação europeia de promover uma “campanha de difamação” contra a organização e Gianni Infantino.
A reação acontece depois de a UEFA recorrer ao mesmo sistema judicial para buscar documentos e depoimentos relacionados à FIFA Forward Enterprise (FFE), projeto que previa a criação de uma subsidiária para explorar comercialmente direitos ligados às competições da FIFA. A entidade europeia afirma que pretende utilizar as informações em possíveis medidas legais na Suíça.
Disputa começou com projeto de Infantino
A FFE foi apresentada como uma estrutura que concentraria operações comerciais e de eventos da FIFA. O acordo previa a entrada de investidores privados e chegou a ser avaliada em cerca de US$ 20 bilhões, mas encontrou forte resistência de confederações e acabou abandonada em 31 de julho.
A UEFA esteve entre as principais opositoras. A confederação questionou a forma como o projeto foi conduzido e alegou que a operação poderia transferir direitos comerciais para uma nova estrutura sem consultas e aprovações adequadas dentro da FIFA. Por fim, a entidade também passou a defender uma análise independente sobre o caso.
Com o projeto fora de cena, o conflito mudou de terreno. A UEFA passou a buscar, nos Estados Unidos, acesso a informações sobre a elaboração da FFE, enquanto a FIFA tenta impedir o avanço desse pedido. Para a entidade comandada por Infantino, a iniciativa europeia apresenta problemas jurídicos e serve para atingir publicamente a organização e seu presidente.

Pressão sobre Infantino na FIFA ultrapassa a FFE
A batalha judicial acontece em um momento de pressão crescente sobre o presidente da FIFA. UEFA, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol se posicionaram contra a condução do projeto, enquanto o debate sobre mudanças na estrutura de governança da entidade ganhou força entre associações europeias.
O cenário também alcança a próxima eleição. Infantino pretende disputar um quarto mandato em 2027 e ainda possui apoio importante fora da Europa, mas a oposição ao projeto comercial ampliou o desgaste com parte das confederações. A UEFA, por sua vez, passou a defender reformas institucionais e limites maiores ao poder do presidente da FIFA.
Assim, o processo nos Estados Unidos representa mais do que uma nova discussão sobre um projeto que já foi abandonado. A FFE abriu uma disputa sobre dinheiro, governança e poder dentro do futebol mundia. Por fim, o embate entre FIFA e UEFA agora ganhou também uma dimensão judicial.




