Ficar fora da primeira convocação da Seleção Brasileira depois da Copa poderia colocar Alisson em uma situação bastante desconfortável. Aos 33 anos e depois de disputar os Mundiais de 2018, 2022 e 2026, o goleiro viu Ancelotti abrir espaço para Hugo Souza, Pedro Morisco e Otávio. Para mim, a resposta mais importante desde então não veio por meio de declarações, mas justamente de suas atuações pelo Liverpool.
Em seis partidas disputadas nesta temporada, Alisson terminou três delas sem sofrer gols. Os clean sheets aconteceram diante de Ipswich Town, Fulham e Bournemouth, todos pela Premier League. É uma amostragem ainda curta, mas suficiente para mostrar que a ausência na Seleção não coincidiu com uma queda de rendimento no futebol inglês. Pelo contrário, o brasileiro atravessa um período de segurança no clube.
A atuação contra o Bournemouth reforçou justamente essa impressão. Na vitória por 1 a 0, o brasileiro realizou duas grandes defesas e apareceu entre os destaques do Liverpool. Quando um goleiro passa três de seis partidas sem ser vazado e ainda interfere diretamente em um resultado apertado, considero difícil separar o desempenho coletivo da contribuição individual apresentada por ele.
Ausência não significa fim do ciclo na Seleção
Também não acredito que seja necessário transformar esse momento em uma disputa imediata contra a decisão de Ancelotti. O treinador apresentou uma justificativa bastante clara para a lista: pretende priorizar jogadores mais jovens neste momento do ciclo. Isso explica as oportunidades para outros nomes sem necessariamente representar uma ruptura definitiva com quem esteve nas últimas Copas.

O próprio Ancelotti deixou essa porta aberta ao falar sobre Alisson. Segundo o treinador, a comissão técnica conhece muito bem o goleiro e uma eventual volta dependerá também do nível que ele conseguir manter quando chegarem competições importantes. Portanto, o cenário atual parece muito mais próximo de uma observação de alternativas do que de uma exclusão definitiva.
É justamente aí que considero o momento no Liverpool tão relevante. Alisson não controla quem Ancelotti pretende observar durante as Datas Fifa, mas pode dificultar qualquer afastamento prolongado mantendo regularidade em seu clube. Os três jogos sem sofrer gols não garantem uma convocação futura, porém oferecem um argumento esportivo importante para alguém que continua atuando em alto nível.
Alisson busca nova copa pela Seleção Brasileira
Existe ainda o peso de uma trajetória que não desaparece depois de uma convocação. Alisson soma 83 partidas pela Seleção desde 2015 e esteve nas últimas três Copas do Mundo. Essa experiência pode voltar a ser importante mais adiante, mas não deveria funcionar como garantia de espaço. Para continuar no ciclo, seu presente precisa sustentar aquilo que construiu anteriormente.
Por isso, vejo este começo de temporada como uma resposta interessante do brasileiro. Alisson não precisa provar que possui história na Seleção; isso já está estabelecido. O que precisa demonstrar é que ainda pode entregar o nível necessário para voltar a disputar espaço.




