Aos 35 anos, Virgil van Dijk chegou ao fim da última Copa do Mundo diante de uma decisão que considero perfeitamente compreensível. Depois da eliminação da Holanda e da saída de Ronald Koeman, o capitão poderia entender que havia chegado o momento de encerrar sua trajetória internacional. Com 96 partidas pela seleção, ele já havia acumulado experiência suficiente para olhar para o próximo ciclo de maneira diferente.
O que mudou esse cenário foi justamente a chegada do comandante. O novo treinador procurou o zagueiro e apresentou aquilo que pretendia construir nos próximos anos. O defensor explicou que precisava sentir confiança, respeito e alegria para permanecer, elementos que encontrou desde o início da conversa. Para mim, esse detalhe ajuda a entender por que sua decisão vai muito além de simplesmente buscar a marca de 100 jogos pela Holanda.
Existe uma diferença considerável entre continuar porque ainda é convocado e permanecer porque acredita no caminho apresentado pelo treinador. Van Dijk poderia escolher encerrar sua passagem sem precisar provar praticamente nada individualmente. Ao aceitar fazer parte de mais um ciclo, mostra que encontrou no projeto de Xavi uma motivação suficiente para assumir novamente a responsabilidade de liderar uma seleção que precisa reagir.

Xavi também precisava manter seu principal líder
Do outro lado, acredito que Xavi conseguiu uma primeira vitória importante antes mesmo de estrear. Começar um trabalho mudando ideias e introduzindo uma nova maneira de jogar já exige tempo. Fazer isso sem uma das maiores lideranças do elenco aumentaria ainda mais o tamanho do desafio. Por isso, convencer Van Dijk a permanecer representa uma decisão importante também para o treinador.
Ele deixou isso evidente ao confirmar que o defensor continuará utilizando a braçadeira. Depois do encontro realizado em Liverpool, o técnico destacou a liderança, a motivação e a disposição do jogador para seguir representando o país. A mensagem é relevante porque estabelece desde o começo quem será uma das referências do vestiário durante essa transição.
Também existe um aspecto esportivo que pesa nessa escolha. Van Dijk continua exercendo papel central no Liverpool e chega à Data Fifa depois de três partidas consecutivas da equipe sem sofrer gols em competições domésticas. O próprio defensor dividiu os méritos com atacantes e meio-campistas pelo trabalho defensivo, mostrando uma postura de liderança que Xavi provavelmente pretende aproveitar na seleção.
Por isso, vejo a decisão do capitão como um dos primeiros sinais importantes do novo trabalho. Van Dijk afirmou que pretende fazer dos próximos dois anos um período especial, e Xavi deixou claro que ainda enxerga nele condições para liderar. Ele não precisa construir outra carreira pela Holanda. O desafio agora é descobrir se esse último grande ciclo pode terminar de uma maneira diferente daquela que quase o levou a parar.




