Durante as primeiras rodadas da Premier League, uma das coisas que mais me chamou atenção no Arsenal foi justamente a capacidade de manter a segurança defensiva mesmo sem William Saliba. O francês ainda se recupera de uma lesão nas costas, mas a equipe havia encontrado alternativas para minimizar sua ausência. Contra o Brighton, porém, essa estrutura apresentou problemas que ainda não tinham aparecido com tamanha intensidade.
O 3 a 0 no Amex Stadium representou uma mudança brusca em relação ao início de campeonato. O Arsenal havia vencido suas quatro primeiras partidas da Premier League sofrendo apenas um gol. Em uma única tarde, sofreu três, perdeu sua invencibilidade e ainda permitiu que o Brighton criasse oportunidades suficientes para transformar uma derrota ruim em um resultado potencialmente ainda mais pesado.
Para mim, seria injusto colocar tudo isso apenas na ausência de Saliba. Arteta reconheceu depois da partida que sua equipe cometeu erros técnicos em regiões perigosas e perdeu duelos que normalmente consegue controlar. O Brighton também merece crédito pela intensidade da pressão e pela capacidade de impedir que o Arsenal tivesse tranquilidade para construir desde trás.

Saliba oferece algo difícil de substituir no Arsenal
Ainda assim, acredito que partidas como essa ajudam a mostrar por que Saliba continua sendo tão importante. Não se trata apenas de ganhar disputas individuais. Sua velocidade permite ao Arsenal defender mais longe do próprio gol, sua qualidade com a bola facilita a saída sob pressão e sua presença ao lado de Gabriel Magalhães forma uma parceria que conhece praticamente todos os movimentos defensivos exigidos por Arteta.
Os números construídos desde sua estreia na Premier League ajudam a dimensionar essa importância. Com Saliba como titular, o Arsenal venceu 68,5% de suas partidas pelo campeonato e sofreu, em média, 0,8 gol por jogo. Sem o francês, o aproveitamento de vitórias cai para 50%, enquanto a média de gols sofridos aumenta para 1,3 por partida. Não significa que uma estatística explique tudo, mas a diferença é relevante demais para ser ignorada.
O problema atual também vai além de Saliba. Arteta chegou ao confronto contra o Brighton com outras limitações na defesa. Ben White e Cristhian Mosquera ficaram fora da partida, enquanto Piero Hincapié estava retornando e começou no banco. Jurriën Timber, por sua vez, voltou recentemente de um período afastado. Isso obrigou o treinador a administrar uma linha defensiva que ainda está longe de ter todas as alternativas disponíveis.
É justamente por isso que vejo o 3 a 0 mais como um alerta do que como uma conclusão sobre a defesa do Arsenal. Um jogo ruim não apaga aquilo que o time apresentou anteriormente, principalmente depois de sofrer somente um gol nas quatro primeiras rodadas. Ao mesmo tempo, enfrentar uma equipe capaz de pressionar tão intensamente quanto o Brighton mostrou como algumas ausências podem diminuir a margem de segurança que Arteta construiu nos últimos anos.
O defensor ainda não possui uma data definitiva para retornar, então o Arsenal precisará encontrar essas respostas sem depender de uma recuperação imediata. Para mim, esse talvez seja o principal aprendizado deixado pelo Brighton. Arteta conseguiu construir uma das estruturas defensivas mais confiáveis da Inglaterra, mas o 3 a 0 mostrou que substituir Saliba por um período prolongado continua sendo um desafio muito maior do que simplesmente colocar outro zagueiro em sua posição.




