Durante muito tempo, qualquer avaliação sobre Mikel Arteta no Arsenal acabava esbarrando na mesma pergunta: quando o trabalho seria transformado em um grande título? A Premier League conquistada na temporada passada mudou essa conversa. Agora, com a renovação encaminhada, considero que o espanhol entra em uma fase diferente, na qual sua permanência começa a ser medida também pelo tamanho da história que ainda pode construir em Londres.
O comandante chegou ao clube em dezembro de 2019 e já alcançou 360 partidas no comando. A trajetória teve momentos bem distintos, desde as dificuldades das primeiras temporadas até três vice-campeonatos consecutivos da Premier e, finalmente, o título inglês de 2025/26. Foram 22 anos de espera do Arsenal desde a conquista anterior, justamente com Arsène Wenger.
Para mim, esse é o ponto que torna a renovação mais interessante do que simplesmente a manutenção de um treinador vencedor. Arteta recebeu tempo para transformar o elenco, atravessou períodos de cobrança e conseguiu entregar aquilo que faltava para validar o projeto. Permanecer depois dessa conquista muda a expectativa. Já não basta reconstruir ou aproximar o Arsenal dos primeiros colocados; o desafio passa a ser sustentar o clube nesse patamar.

Wenger ainda está muito distante de Arteta
Qualquer comparação com o ídolo, porém, precisa respeitar uma diferença enorme. O francês comandou a equipe entre outubro de 1996 e maio de 2018, permanecendo quase 22 anos no cargo. Arteta ainda não chegou sequer a um terço desse período. Mesmo com uma permanência longa a partir do novo vínculo, alcançar a longevidade de seu antecessor continua sendo uma realidade muito distante.
Existem outras marcas que mostram o tamanho da distância. O time chegou a passar 32 partidas de Campeonato Inglês invicto como mandante entre 2003 e 2005 e outras 27 sem perder fora de casa entre 2003 e 2004. Foi também naquele período que surgiu o time campeão inglês sem derrotas, uma das temporadas mais lembradas da história da competição.
Por isso, não vejo a renovação como uma corrida para Arteta simplesmente “superar Wenger”. Seria reduzir duas trajetórias construídas em contextos completamente diferentes. O que o novo contrato oferece é tempo suficiente para o espanhol começar a criar marcas próprias. Depois de devolver o título inglês ao Arsenal, repetir conquistas e manter a equipe competitiva por vários anos teria um peso diferente de qualquer comparação puramente numérica.
Arteta e Wenger deixam seus nomes na história
No fim, considero que a principal marca perseguida por Arteta talvez nem esteja em uma tabela. Wenger deixou uma era que ultrapassou vitórias, invencibilidades e troféus porque mudou a própria história do Arsenal. O espanhol ainda está muito longe dessa dimensão, mas finalmente conquistou aquilo que faltava para começar outra discussão. Depois de reconstruir o time e voltar a vencer a Premier League, os próximos anos mostrarão se seu trabalho também será lembrado como uma era.




