Quando olho para os jogadores brasileiros que deixaram seus clubes nesta Data Fifa, considero que Gabriel Magalhães representa um cenário bastante diferente daquele vivido por alguns dos principais nomes da convocação. O zagueiro chegou à Seleção depois de acumular 675 minutos pelo Arsenal na temporada, maior marca entre os 15 convocados que atuam no futebol europeu.
O contraste mais evidente aparece justamente com Endrick. Enquanto Gabriel praticamente não saiu de campo neste começo de temporada, o atacante havia disputado somente quatro minutos pelo Real Madrid antes da apresentação. São 671 minutos de diferença entre dois jogadores que chegaram ao mesmo ambiente internacional vivendo realidades completamente distintas em seus clubes.
Para mim, esse número ajuda a mostrar algo que vai além da comparação entre os dois. O defensor retorna ao Arsenal depois da Data Fifa com uma condição já consolidada dentro da equipe. Não precisa utilizar a Seleção para buscar ritmo ou tentar recuperar espaço no clube. Sua preocupação passa justamente pelo outro extremo: administrar uma sequência elevada de minutos.
Gabriel Magalhães acumula 675 minutos pelo Arsenal
Essa carga, inclusive, teve reflexos durante a apresentação do Brasil. Ele realizou trabalho na academia no primeiro treino em Brisbane por controle de carga. No dia seguinte, voltou a ser preservado em parte da atividade, e a comissão técnica avaliava sua condição diante da fadiga apresentada na chegada à Austrália.

Vejo esse cenário como uma demonstração importante do espaço conquistado pelo defensor. Mauro Júnior, com 661 minutos pelo PSV, Vinícius Júnior, com 652 pelo Real Madrid, e Raphinha, com 626 pelo Barcelona, eram os outros três nomes acima da barreira dos 600 minutos naquele levantamento. Gabriel aparecia à frente de todos eles.
Isso não significa que simplesmente atuar mais seja suficiente para definir quem vive a melhor temporada. Minutagem depende de posição, concorrência, lesões e decisões dos treinadores. O dado ganha importância aqui porque evidencia o tamanho da diferença entre as situações encontradas pelos brasileiros antes da convocação.
Endrick enfrenta realidade completamente diferente
Endrick está exatamente no outro extremo. Uma tendinite sofrida durante a pré-temporada atrasou seu início, e o atacante passou a maior parte das partidas seguintes como opção de José Mourinho. Sua única participação pelo Real Madrid havia sido nos minutos finais contra o Elche.
Por isso, considero interessante observar como a mesma Data Fifa pode representar coisas tão diferentes. Para o ex-Palmeiras, estar com a Seleção oferece uma possibilidade de conquistar os minutos que não encontra em Madri. Para Gabriel, a passagem pelo Brasil exige atenção justamente pela enorme carga acumulada antes de retornar ao Arsenal.




