Florian Wirtz começa a entrar em uma fase na qual a palavra adaptação já não consegue explicar tudo sozinha. O Liverpool investiu muito para contratá-lo e, depois de uma primeira temporada abaixo das enormes expectativas, esperava naturalmente um segundo ano de maior protagonismo. Para mim, o problema neste momento não está apenas nos números do alemão, mas na dificuldade de entender exatamente onde ele consegue oferecer sua melhor versão dentro do time de Andoni Iraola.
O próprio treinador tentou diminuir essa discussão recentemente. Iraola afirmou que não avalia Wirtz somente por gols e assistências e destacou que sua influência precisa ser analisada também pela maneira como ajuda o Liverpool a jogar. É um argumento que considero válido. Um meia com suas características pode melhorar uma equipe sem necessariamente participar diretamente de todos os gols, principalmente quando recebe liberdade para circular entre diferentes espaços.
Só que existe uma diferença entre não depender de estatísticas e conseguir influenciar partidas regularmente. Wirtz iniciou os quatro primeiros jogos desta Premier League e chegou à rodada contra o Bournemouth com apenas uma assistência, sem marcar. Na temporada passada, sua primeira pelo Liverpool, foram cinco gols e três assistências em 33 partidas pela competição. Para um jogador contratado pelo valor que o clube pagou, considero natural que a expectativa seja significativamente maior.
Bournemouth reforça dilema de Iraola com Wirtz
A vitória por 1 a 0 sobre o Bournemouth mostrou bem essa contradição. Wirtz teve dificuldades principalmente no começo da partida e terminou o jogo tendo perdido a posse 15 vezes. Iraola reconheceu depois que o alemão começou lentamente, embora tenha destacado uma evolução durante o confronto. Aos 71 minutos, o camisa 7 deixou o campo.
Ao mesmo tempo, seria errado usar essa atuação apenas para reforçar uma narrativa negativa. Wirtz terminou com três chances criadas, empatado com Cody Gakpo como líder do Liverpool nesse fundamento. Também participou da jogada do gol de Alexander Isak, embora a construção tenha passado principalmente pela arrancada e pelo cruzamento de Gakpo antes da finalização do sueco. É justamente essa mistura de bons momentos com períodos de pouca influência que torna seu cenário tão interessante.
Para mim, Iraola precisa encontrar uma maneira de diminuir essa irregularidade dentro das próprias partidas. O Liverpool possui Isak como referência, Barcola chegando para ganhar espaço, Gakpo oferecendo outras características e diferentes alternativas para montar o setor ofensivo. Nesse cenário, simplesmente colocar Wirtz em campo não significa necessariamente potencializá-lo. O treinador precisa descobrir quais movimentos e quais companheiros conseguem aproximar o alemão do jogador que justificou tamanho investimento.

Concorrência aumenta responsabilidade de Wirtz
Também existe uma questão que começa a ganhar peso: a concorrência. Antes da partida deste domingo, já havia discussão na imprensa inglesa sobre a possibilidade de outros jogadores ganharem espaço caso Wirtz não apresentasse uma evolução. Isso seria praticamente impensável quando o Liverpool realizou um investimento recorde para contratá-lo, mas mostra como o cenário pode mudar rapidamente em um elenco com tantas alternativas.
Por isso, ainda acho exagerado transformar Florian Wirtz em um fracasso ou resumir seu momento ao preço da transferência. Aos 23 anos, ele continua sendo um jogador com enorme capacidade técnica e Iraola publicamente demonstra confiança em seu futebol. O alerta é outro: o Liverpool já atravessou uma temporada inteira esperando que o alemão assumisse maior protagonismo e o segundo ano começa apresentando dúvidas parecidas. Agora, mais do que defender seus números, Iraola precisa encontrar a função que faça Wirtz voltar a ser determinante.




