O Corinthians enfrenta mais um problema nos bastidores do futebol feminino. Depois de assumir um compromisso para regularizar os valores atrasados, a diretoria não cumpriu integralmente o prazo estabelecido com as jogadoras. A situação aumenta o desconforto dentro de um departamento que continua entregando resultados relevantes em campo.
Em agosto, atletas e integrantes da comissão técnica chegaram a se reunir com o presidente Osmar Stabile no Parque São Jorge para cobrar dois meses de direitos de imagem. O clube paulista pagou uma das parcelas, referente a junho, mas não conseguiu regularizar o restante dentro do novo cronograma.
Pendências no Corinthians vão além dos direitos de imagem
O problema financeiro envolvendo as Brabas do Timão não está restrito ao segundo mês de direitos de imagem. O Corinthians também acumula premiações em aberto referentes à conquista da Libertadores Feminina de 2025 e aos vice-campeonatos da Copa das Campeãs e da Supercopa Feminina de 2026. Até o momento, não havia prazo definido para a quitação desses valores.
A dificuldade faz parte de uma crise mais ampla. O Alvinegro Paulista também atravessa atrasos com o elenco masculino, enfrenta transfer bans e não conseguiu cumprir outros compromissos financeiros previstos no ano. Em setembro, a diretoria voltou a atrasar os salários dos jogadores e da comissão.
No feminino, porém, o cenário ganha uma dimensão particular. O Corinthians construiu uma hegemonia que transformou o departamento em referência nacional: a equipe é heptacampeã brasileira e conquistou a sexta Libertadores em 2025, além de ter chegado à semifinal do Brasileiro pela décima vez consecutiva.
Resultado em campo não elimina problema fora dele
A contradição ficou ainda mais evidente nas últimas semanas. Enquanto as atletas cobravam a diretoria por pagamentos, o time avançava no Brasileirão e eliminava o Cruzeiro nas quartas de final, com duas vitórias. As Brabas agora enfrentam o Bahia na semifinal, com os jogos previstos para os dias 15 e 21 de setembro.
Há ainda uma particularidade nas contas do Corinthians que ajuda a explicar parte da dificuldade para transformar premiações esportivas em dinheiro disponível. O acordo firmado com a Caixa pela dívida da Neo Química Arena prevê a retenção de 50% das premiações recebidas pelo Timão, segundo informações sobre a situação financeira do departamento.
O Corinthians feminino continua sendo competitivo, mas a sequência de atrasos mostra que desempenho esportivo e estabilidade financeira caminham em direções diferentes e, futuramente, podem afetar o desempenho da equipe.




