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Direto da Redação

Análise: Seedorf é o 4° técnico estrangeiro do Corinthians na década e holandês é a única escolha sem sentido

Antes de Seedorf, Corinthians havia sido treinado por Vítor Pereira, António Oliveira e Ramón Díaz

Seedorf é o novo técnico do Corinthians. Foto: IMAGO/ABACAPRESS
© IMAGO/ABACAPRESSSeedorf é o novo técnico do Corinthians. Foto: IMAGO/ABACAPRESS

O holandês Clarence Seedorf foi anunciado como treinador do Corinthiansapós a demissão de Fernando Diniz e gerou muito debate, surpreendendo até a mídia internacional. O fato é que ele é o quarto treinador estrangeiro a assumir o cargo de técnico da equipe brasileira, e eu o vejo como o primeiro cuja escolha não faz muito sentido.

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Acredito que o período de inatividade e os trabalhos modestos jogam contra Seedorf ao ser a escolha. As outras três contratações se justificavam na época, em minha visão: Vítor Pereira em 2022, António Oliveira em 2024, e Ramón Díaz, em 2024 e 2025. O último dos citados, inclusive, foi o único que conseguiu um título, após evitar o rebaixamento do Vasco no Brasileirão, ele chegou ao Corinthians e fez com que a equipe tivesse uma arrancada histórica pelo Alvinegro Paulista na competição nacional do ano seguinte e ainda levou a equipe a ser campeã do Campeonato Paulista de 2025.

A cultura portuguesa também foi levada em conta em duas oportunidades. Na mais recente delas, António Oliveira chegou a dirigir o Benfica B e eu enxergo que ele fazia um grande trabalho no Cuiabá, na época de sua contratação. Mesmo que sua metodologia depois de alguns meses tenha se desgastado, seu começo se mostrou promissor, vencendo quatro de seus três primeiros jogos.

Agora, sobre Vítor Pereira, me arrisco a dizer que foi com ele que o Corinthians jogou o seu melhor futebol na última década, até mais que a época da arrancada com Ramón e Emiliano Díaz em 2024. Foi apenas uma temporada e não houve tempo para uma reestruturação em busca de títulos, mas em 2022, ele trouxe a cultura com duas linhas de quatro na marcação.

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Ofensivamente, o time tinha qualidade com jogadores que viviam grande momento, como Renato Augusto, Róger Guedes, Giuliano e Yuri Alberto, sempre especulado em times internacionais e que segue no clube brasileiro. Ele valorizava poucos passes com a intenção de chegadas rápidas para finalizar o mais breve possível. O objetivo era que sua equipe fosse letal, como foi em muitas oportunidades.

Comparação de Vítor Pereira com Seedorf

Aqui vejo que o paralelo entre Seedorf e Vítor Pereira merece uma atenção especial. Como sabido, no caso do holandês, são mais derrotas do que vitórias como treinador em toda a sua carreira. Mais do que isso, ele acabou sendo o treinador no rebaixamento do Deportivo La Coruña da La Liga, no ano de 2018, e não conseguiu salvar o time ainda que tenha pegado a equipe espanhola em situação crítica, terminando a sua passagem com um aproveitamento baixíssimo de apenas 25% (foram somente duas vitórias em 16 jogos). Por isso, considero que a escolha é bem preocupante pensando no resto do ano.

Acredito que o cenário com Vítor Pereira era bem diferente, já que ele vinha de bons trabalhos no Velho Continente, por Porto, de Portugal, Olympiacos, da Grécia, e Fenerbahçe, da Turquia. Esse último, inclusive, havia sido o último clube em que ele havia trabalhado antes de chegar ao Corinthians.

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Só para ter uma ideia, em duas passagens pelo clube turco foram 86 jogos comandando a equipe, com 48 vitórias, 22 empates e apenas 16 derrotas, segundo dados do portal Transfermarkt. Em todos os seus grandes trabalhos citados por mim, seu retrospecto é positivo.

Infográfico Seedorf Vítor Pereira

Foto: Imagem gerada por inteligência artificial – ChatGPT

Se é possível pensar em algo em comum entre os dois treinadores, diversos jogadores do Corinthians, como o próprio Róger Guedes e Fagner, reclamaram em entrevistas após a saída do português sobre a forma de Vítor Pereira gerir o grupo. Seedorf também tem fama de ser muito enérgico, exigente, detalhista e também de não abrir mão de suas ideias. No caso do holandês, acredito que isso possa ser bom, visto que vem faltando uma pegada mais forte dos jogadores nos jogos, mas em contrapartida, em um momento de crise, pode ser um tiro no pé.

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Resumindo: motivações e números justificam desconfiança com Seedorf

Futebol não é uma ciência exata e é claro que Seedorf pode provar ter sido uma escolha acertada, mesmo não tendo convencido até aqui no futebol estrangeiro. No entanto, vejo que as motivações para sua contratação, até comparando com os outros três treinadores, mostram o porquê a escolha não fazer muito sentido neste momento.

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