Na noite desta quarta-feira (28), após o clássico entre Santos e Palmeiras, que terminou empatado em 0 a 0, o técnico português Abel Ferreira criticou bastante a qualidade do gramado da Vila Belmiro e voltou a trazer o debate sobre a qualidade dos campos do futebol brasileiro.
Mais do que isso, ele pediu que haja uma regulamentação séria, como existe na Europa e nos principais campeonatos do planeta. O treinador dá a entender que o país pentacampeão mundial deixa a desejar neste sentido e que precisa de melhores exigências, em comparação com outros países.
“Antes de falar das minhas opções, eu queria convidar vocês a avaliar se esse gramado está à altura das duas instituições. É lamentável que não haja uma regulamentação séria, como existe na Europa e nos melhores campeonatos do mundo, e que duas equipes tenham que jogar em um gramado nessas condições. Não no estádio, porque é um estádio centenário, com muita história, mas em um gramado com essas condições. É inacreditável”, iniciou em entrevista coletiva.
Ele continuou: “Não é porque vocês estão olhando de casa e veem o gramado verde que ele está em boas condições. É preciso que vocês façam o trabalho de olhar com os próprios olhos, coloquem as câmeras lá fora e façam o trabalho que ninguém faz, que é fiscalizar o estado do gramado. Já falei: a primeira coisa para um bom espetáculo é um gramado em boas condições”, completou o português.
O que diz o regulamento da Champions League?
O que Abel disse neste caso procede. Por exemplo, a UEFA tem exigências muito rígidas a respeito da qualidade do gramado em partidas da maior competição do Velho Continente: a Champions League. Todos os clubes participantes precisam passar por uma série de processos neste sentido.
No artigo 34 do regulamento oficial da competição continental, consta que os gramados devem estar em perfeitas condições para a realização das partidas. Também é avisado aos clubes que as fiscalizações podem acontecer a qualquer momento antes, durante ou após o torneio.
Também constam regras a respeito da qualidade do campo: “O clube mandante deve respeitar as diretrizes de corte da grama natural. A altura da grama não pode ultrapassar 30 mm, e toda a superfície de jogo deve ser cortada na mesma altura. A altura da grama deve ser a mesma tanto nos treinamentos quanto nas partidas. Caso o árbitro ou o delegado da partida da UEFA considere necessário, o clube mandante poderá ser obrigado a reduzir a altura da grama para as partidas e os treinamentos”, diz um trecho do regulamento.
Até a irrigação dos gramados tem direções sérias a serem seguidas: “O cronograma de irrigação do gramado deve ser comunicado pelo clube mandante durante a reunião organizacional. A irrigação deve ser realizada de maneira uniforme, sem se restringir a determinadas áreas do campo. Como regra geral, a irrigação deve ser concluída 60 minutos antes do início da partida. No entanto, por decisão do clube mandante, a irrigação também poderá ocorrer após esse período”, consta em outro trecho.
O regulamento possui diretrizes rígidas até para as áreas de segurança nas laterais e fundos do campo. No texto é dito que o clube mandante é responsável por garantir que todo o gramado seja seguro para os jogadores, os integrantes das comissões técnicas e a equipe de arbitragem. As regras incluem, inclusive, a instalação temporária de grama artificial verde de alta qualidade ao redor do campo de jogo, quando isso se fizer necessário.
Abel alerta para perigo de lesões
O treinador do Palmeiras ainda revelou que gramados que não estão nas melhores condições podem ocasionar lesões em jogadores, algo que, a julgar pela sua fala, tem menos risco de acontecer na Europa: “É um desafio virmos jogar aqui neste estádio centenário (Vila Belmiro), com um bom ambiente, mas nessas condições. É disso que temos que falar, da qualidade do campo. Como é que se pode correr? Espero chegar amanhã e não receber notícias do departamento médico sobre lesões”, finalizou.




