Quando olho para o início deste novo ciclo da Seleção Brasileira, Estêvão e Endrick estão entre os jogadores que mais despertam minha atenção pensando na Copa do Mundo de 2030. Não apenas pelo potencial dos dois, mas porque Carlo Ancelotti já deixou claro que enxerga ambos como nomes importantes para o futuro do Brasil. O problema é que existe uma diferença enorme entre possuir talento para assumir esse protagonismo e chegar aos próximos anos jogando regularmente em alguns dos maiores clubes da Europa.
É justamente por isso que considero preocupante a situação atual da dupla. Estamos falando de dois jogadores muito jovens e com bastante tempo para mudar esse cenário, então seria exagerado tratar o momento como uma crise. Ao mesmo tempo, também não acho possível ignorar a falta de espaço. Se Estêvão e Endrick realmente são duas das grandes apostas brasileiras para 2030, precisam chegar ao próximo Mundial muito mais maduros, e essa evolução depende diretamente de minutos em campo.
Estêvão encontra novo problema no Chelsea
O caso de Estêvão talvez seja aquele que mais me chama atenção neste começo de temporada. Depois de sofrer uma grave lesão muscular e ficar fora da última Copa do Mundo, o brasileiro voltou ao Chelsea encontrando uma realidade diferente com Xabi Alonso. Nos quatro primeiros jogos oficiais, começou apenas um como titular, contra o Luton Town pela Copa da Liga, enquanto na Premier League acumulou somente 16 minutos. Contra o Brighton, sequer foi utilizado.

Para mim, o problema vai além da quantidade de minutos. O sistema utilizado por Xabi trabalha com alas em vez dos pontas tradicionais, o que deixa Estêvão diante de uma escolha complicada para conquistar espaço. Uma possibilidade seria atuar mais recuado pela direita; outra passa por disputar posição como meia-atacante com nomes como Cole Palmer e Morgan Rogers. Xabi declarou recentemente que acredita no brasileiro e destacou sua postura nos treinamentos, mas essa confiança agora precisa começar a aparecer também nas oportunidades dentro de campo.
Endrick também precisa recuperar espaço
Com o centroavante, existe um contexto diferente que precisa ser considerado antes de qualquer cobrança. O atacante sofreu uma lesão muscular antes do início de La Liga e só voltou a ficar disponível nesta semana, quando foi relacionado para enfrentar a Inter de Milão pela Champions League. José Mourinho já havia avisado que o brasileiro ainda estava sem ritmo para jogar por muito tempo. No fim, Endrick permaneceu no banco e não participou da vitória madridista.
Ainda assim, o cenário para os próximos meses merece atenção. Ele retornou ao Real Madrid depois de cinco meses emprestado ao Lyon e decidiu permanecer no clube espanhol, mesmo após ser especulado em outros destinos durante a janela. Agora, encontra um setor ofensivo bastante concorrido, com Mbappé estabelecido no comando do ataque e outras alternativas disponíveis para Mourinho. Por isso, sua recuperação física resolve apenas uma parte do problema: depois dela, será necessário encontrar espaço de verdade na equipe.
Por fim, não acredito que seja momento de questionar a qualidade de nenhum dos dois, muito menos abandonar a expectativa existente sobre eles. Minha preocupação é justamente o contrário: considero Estêvão e Endrick talentos grandes demais para passarem temporadas importantes entrando apenas por alguns minutos. O novo ciclo oferece tempo para recuperar protagonismo, mas também aumenta a responsabilidade. Se realmente pretendem chegar a 2030 como referências da Seleção Brasileira, encontrar espaço em Chelsea e Real Madrid precisa ser um dos primeiros passos desse caminho.




