Quando Antoine Griezmann decidiu encerrar sua história no Atlético de Madrid e realizar o antigo desejo de jogar nos Estados Unidos, era natural imaginar que sua carreira entraria em uma fase completamente diferente. Aos 35 anos, depois de mais de uma década entre os grandes nomes do futebol espanhol, o francês já não precisava provar praticamente nada. O começo pelo Orlando City, porém, mostra que ele também não atravessou o Atlântico simplesmente para cumprir os últimos anos da carreira.
Griezmann chegou à MLS em julho e rapidamente se tornou uma das principais referências do Orlando. Em apenas oito partidas pelo campeonato, já marcou cinco gols e distribuiu três assistências, além de ter começado como titular em todos os jogos. Mais do que os números, chama minha atenção a rapidez com que conseguiu assumir responsabilidade dentro de uma equipe e de um campeonato completamente novos.
Os últimos jogos tornam esse começo ainda mais interessante. Griezmann marcou duas vezes contra o Real Salt Lake, voltou a balançar as redes diante do Minnesota United e decidiu a vitória por 1 a 0 sobre o San Diego FC. São quatro gols nas últimas três partidas da MLS, sequência que mostra um jogador cada vez mais confortável em seu novo ambiente. Contra o Real Salt Lake, inclusive, sua atuação lhe rendeu o prêmio de Jogador da Rodada.
Para mim, porém, existe algo mais interessante nessa história do que simplesmente descobrir quantos gols Griezmann conseguirá marcar nos Estados Unidos. O que realmente quero observar é quanto do jogador que marcou época no Atlético de Madrid ele conseguirá transportar para essa nova fase da carreira. Porque reduzir o francês a um atacante capaz de finalizar sempre foi uma maneira muito limitada de entender seu futebol.

Griezmman teve passagem de grande destaque no Atlético de Madrid
Foi justamente essa versatilidade que ajudou a construir sua história com Diego Simeone. Griezmann deixou definitivamente o Atlético como maior goleador da história do clube. Somando suas diferentes passagens, foram 211 gols em 488 partidas, além de títulos como Liga Europa, Supercopa da Uefa e Supercopa da Espanha. Antes de chegar ao Orlando, ainda havia disputado 34 partidas na última La Liga, com sete gols e quatro assistências.
No Atlético, entretanto, seu peso nunca esteve apenas na quantidade de gols. Griezmann aprendeu a baixar para participar da construção, ocupar diferentes espaços, conectar meio-campo e ataque e trabalhar sem a bola. Foi atacante, segundo atacante e, em muitos momentos, praticamente um meio-campista. É justamente essa inteligência que acredito poder prolongar sua carreira mesmo quando a velocidade naturalmente começar a diminuir.
Meia vem mostrando qualidade na MLS
Por fim, o começo no Orlando já oferece alguns sinais disso. O craque não chegou para ser apenas o nome famoso que aparece dentro da área esperando uma oportunidade. Tem atuado tanto como atacante quanto em posições mais recuadas no setor ofensivo, participando da criação e assumindo responsabilidade sobre o funcionamento da equipe. Seus três passes para gol em oito jogos ajudam a mostrar que sua influência continua indo além da finalização.




