Quando Gabriel Jesus chegou ao Barcelona, eu enxerguei a transferência como uma oportunidade muito interessante para recuperar o protagonismo que havia perdido durante seus últimos momentos no Arsenal. O brasileiro desembarcou na Espanha depois de uma temporada complicada fisicamente, mas encontrou um clube que precisava de novas alternativas para o ataque.
Falando mais sobre esse novo desafio em sua carreira, o atleta precisou de pouco tempo para deixar uma primeira impressão positiva. Depois de disputar cerca de 15 minutos em sua estreia contra o Valencia, o camisa 9 entrou novamente no segundo tempo diante do Feyenoord pela Champions League e marcou seu primeiro gol pelo clube.
Neste nova jornada, para mim, o principal desafio começa justamente quando olhamos para aquilo que Raphinha está fazendo. Hansi Flick decidiu utilizar o brasileiro como jogador mais avançado depois da saída de Robert Lewandowski, e a resposta dificilmente poderia ser melhor. São oito gols nos primeiros cinco jogos da temporada, com participação ofensiva constante e uma adaptação muito rápida à nova função. Hoje, simplesmente não existe motivo esportivo para retirar Raphinha dessa posição.
Isso não significa que o ex-Palmeiras tenha sido contratado para permanecer definitivamente no banco. Pelo contrário, acredito que suas características podem oferecer possibilidades diferentes para Flick durante a temporada. Ele possui mobilidade, consegue sair da área para participar da construção e também tem facilidade para atacar espaços nas costas da defesa. O próprio time culé destaca justamente sua movimentação como uma das principais características do atacante.

Raphinha muda cenário encontrado por Gabriel Jesus
A grande questão, na minha visão, é que Jesus chegou para disputar uma posição que parecia muito mais aberta algumas semanas atrás. Raphinha transformou aquilo que inicialmente poderia ser apenas uma solução de Flick em uma alternativa extremamente eficiente. O treinador chegou a classificá-lo como sua melhor opção para atuar como nove, destacando intensidade, velocidade e participação defensiva. Para qualquer concorrente, superar alguém vivendo esse momento será complicado.
Por outro lado, vejo um detalhe favorável ao ex-Arsenal: ele não precisa necessariamente esperar uma queda de rendimento do companheiro para ser importante. Na estreia contra o Valencia, sua entrada permitiu que Raphinha recuasse e ocupasse outra região do campo. Isso mostra que os dois brasileiros podem jogar juntos dependendo da proposta escolhida. Em uma temporada longa, ter diferentes possibilidades ofensivas pode acabar sendo muito mais importante do que estabelecer apenas um titular absoluto.
Também considero que o primeiro gol chegou em um momento excelente para diminuir qualquer ansiedade. Gabriel Jesus entrou contra o Feyenoord aos 83 minutos e, apenas dois minutos depois, aproveitou cruzamento de Lamine Yamal para fechar a goleada por 5 a 1. Começar a trajetória no Camp Nou dessa maneira não garante titularidade, evidentemente, mas oferece confiança para alguém que ainda busca recuperar sua melhor condição depois dos problemas físicos enfrentados no Arsenal.
Gabriel Jesus não pode ter irregularidade no Barcelona
Por fim, eu não vejo a grande fase de Raphinha como uma notícia necessariamente ruim para Gabriel Jesus. Ela apenas aumenta o nível de exigência que o novo camisa 9 encontrará no Barcelona. O primeiro gol já apareceu e suas características combinam com a proposta de Flick, mas agora será necessário aproveitar cada oportunidade recebida.




