Dani Olmo teve duas oportunidades de defender o Bayern de Munique antes de chegar ao Barcelona, e considero que essa revelação ajuda a entender sua carreira de maneira muito mais ampla do que uma simples história de mercado. O espanhol recusou o gigante alemão quando ainda estava no Dínamo Zagreb e repetiu a decisão durante sua passagem pelo RB Leipzig. Nas duas ocasiões, escolheu outro caminho para continuar sua evolução.
A primeira decisão talvez seja a mais reveladora. Olmo havia deixado justamente a formação do Barcelona para buscar espaço no futebol croata e, quando o Bayern apareceu, seu empresário entendeu que uma transferência direta para Munique não seria o passo ideal. O meia permaneceu em uma trajetória menos convencional até chegar ao Leipzig, onde conseguiu se estabelecer definitivamente no futebol alemão.
Os números mostram que essa etapa teve peso importante. Foram 124 partidas, 34 gols e 28 assistências pelo Dínamo Zagreb antes da mudança para a Alemanha. Depois, com a camisa do Leipzig, disputou 148 jogos, marcou 29 vezes e distribuiu outras 34 assistências. O Bayern voltou a procurá-lo durante esse período, mas novamente não conseguiu convencê-lo.

Foi na segunda tentativa que o Barcelona entrou diretamente nessa história. Segundo Andy Bara, empresário do jogador, havia outras possibilidades no mercado, mas a decisão foi pelo clube catalão. O próprio agente reconheceu agora que talvez aquela não tenha sido a melhor opção, embora tenha ponderado que as coisas posteriormente funcionaram para Olmo.
Barcelona ainda precisa transformar escolha em protagonismo
É justamente essa declaração que considero mais interessante para uma análise. Ela não significa que Olmo esteja arrependido ou que pretenda deixar o Barcelona. A própria informação publicada pela Trivela destaca que não existe negociação avançada por uma transferência. O que ela permite discutir é se a escolha feita pelo espanhol já entregou esportivamente tudo aquilo que poderia representar.
Olmo acumula 20 gols e 20 assistências em 96 partidas desde sua chegada ao Barça, além de três assistências em oito jogos nesta temporada. São números relevantes, mas sua passagem também teve diferentes momentos, sem que ele fosse titular absoluto durante todo o período. Hansi Flick chegou inclusive a encontrar uma nova função para aproveitar suas características no meio-campo.
A situação ganhou outro componente nesta temporada. Fermín López vem atuando justamente em uma função semelhante e ganhou espaço no time de Flick. Na vitória da Espanha sobre a Croácia, por exemplo, a própria Trivela destacou que Fermín exerce no Barcelona uma função de camisa 10 e ocupa atualmente uma posição que também pertenceu a Olmo.
Por isso, o retorno do Bayern às especulações cria um contraste interessante. O clube que tentou contratar Olmo em dois momentos diferentes continua aparecendo ao redor de seu futuro justamente quando o espanhol precisa reafirmar seu lugar no projeto que escolheu. Isso não transforma uma possível transferência em realidade, mas torna sua história com os alemães difícil de ignorar.
Bayern reaparece, mas futuro desejado por Olmo está em outro lugar
Existe ainda outro detalhe capaz de tornar essa história menos óbvia. Apesar de Bayern e Barcelona ocuparem o centro das discussões sobre sua carreira no mais alto nível, nenhum dos dois representa o destino no qual Olmo pretende encerrar sua trajetória como jogador.
Segundo Andy Bara, o desejo do espanhol é retornar ao Dínamo Zagreb para terminar a carreira. O vínculo afetivo permanece forte a ponto de seu empresário revelar que Olmo ainda utiliza em casa uma camisa do clube croata com seu nome e o número 7. O jogador também teria interesse em iniciar ali uma eventual trajetória como treinador.
Essa relação torna as duas recusas ao Bayern ainda mais coerentes quando observadas em perspectiva. A carreira de Olmo nunca parece ter sido construída apenas pela escolha do maior clube disponível em determinado momento. Sair da base do Barcelona para a Croácia, rejeitar Munique, passar pelo Leipzig e posteriormente retornar à Catalunha mostram uma sequência de decisões muito particulares.




