O Chelsea encontra em João Pedro e Estêvão duas alternativas interessantes para ampliar seu repertório ofensivo. Os brasileiros apresentam características diferentes, mas considero que uma parceria entre eles poderia oferecer mais mobilidade à equipe comandada por Xabi Alonso. Enquanto o centroavante consegue participar da construção e buscar espaços entre os defensores, o jovem revelado pelo Palmeiras apresenta recursos para acelerar jogadas individuais e criar oportunidades pelo lado direito.
A boa fase de João Pedro aumenta a importância dessa discussão. O atacante começou a temporada 2026/27 com cinco gols e três assistências em seis partidas da Premier League, números que demonstram sua participação direta nas jogadas decisivas. Sua capacidade de contribuir além das finalizações oferece ao treinador a possibilidade de utilizar um jogador que não precisa permanecer fixo entre os zagueiros para ser eficiente.
Estêvão, por outro lado, apresenta características que podem complementar essa movimentação. O brasileiro costuma buscar situações de enfrentamento individual, principalmente quando recebe a bola aberto pela direita. Sua facilidade para conduzir em direção ao centro permite criar espaços para ultrapassagens e aproximações dos companheiros. Vejo nessa qualidade uma oportunidade para o Chelsea diversificar suas ações sem depender exclusivamente de jogadas construídas pelo corredor central.
A combinação entre os dois poderia funcionar especialmente quando João Pedro deixasse a referência ofensiva para participar da organização. Esse deslocamento teria condições de atrair um marcador e abrir espaços nas costas da defesa, região que Estêvão poderia explorar com movimentos diagonais. A ideia não seria transformar o jovem em centroavante, mas permitir que atacasse posições mais próximas do gol em determinados momentos.
Xabi Alonso poderia aproximar Estêvão de João Pedro durante as partidas
Uma das possibilidades que considero mais interessantes envolve a liberdade de posicionamento. Estêvão poderia iniciar aberto, oferecendo amplitude, e aproximar-se do centro quando João Pedro recuasse para receber. Essa alternância dificultaria a definição das responsabilidades defensivas dos adversários, principalmente contra equipes que utilizam linhas compactas e procuram limitar os espaços entre os setores.
A presença de Cole Palmer acrescentaria outra dimensão à proposta. O inglês apresenta qualidade para encontrar passes em regiões congestionadas e participar das combinações próximas à área. Entretanto, seria necessário estabelecer uma distribuição clara dos espaços, evitando que os três jogadores procurassem receber a bola simultaneamente na mesma faixa do campo. Para mim, o sucesso dessa formação dependeria mais da coordenação coletiva do que da liberdade individual.
Outro benefício estaria na possibilidade de acelerar as transições ofensivas. Estêvão oferece condução e velocidade para avançar com a bola, enquanto João Pedro pode atacar a área ou servir como apoio para a continuidade da jogada. Em situações nas quais o Chelsea recuperasse a posse no campo intermediário, essa associação permitiria explorar adversários desorganizados antes que a defesa conseguisse recompor suas posições.

Também existe espaço para utilizar os brasileiros contra marcações mais recuadas. Nessas circunstâncias, o desafio deixa de ser apenas correr em profundidade e passa a envolver paciência, circulação e precisão nos passes. João Pedro poderia ajudar na aproximação entre os setores, enquanto Estêvão teria oportunidades de enfrentar laterais em situações de um contra um. A participação dos meio-campistas seria fundamental para garantir linhas de passe e impedir que o ataque ficasse previsível.
Chelsea precisaria equilibrar criatividade e organização defensiva
Apesar das possibilidades ofensivas, não considero que a utilização conjunta dos brasileiros represente uma solução automática. Estêvão ainda precisa desenvolver aspectos relacionados à tomada de decisão, especialmente quando deve acelerar uma jogada ou preservar a posse. João Pedro, por sua vez, teria de equilibrar suas aproximações com a necessidade de manter presença na área. São ajustes importantes para que a equipe não perca profundidade durante a construção.
A organização sem a bola também exigiria atenção de Xabi Alonso. Caso Estêvão recebesse maior liberdade para atuar por dentro, o lateral direito precisaria avaliar os momentos adequados para avançar. O meio-campo teria responsabilidade na cobertura dos corredores, sobretudo quando João Pedro participasse da pressão sobre a saída adversária. Sem essa coordenação, a tentativa de aumentar a criatividade poderia deixar espaços perigosos nas transições defensivas.
Outro ponto relevante envolve a concorrência por posições. O Chelsea possui diferentes alternativas para o setor ofensivo, e a presença de jogadores capazes de atuar em mais de uma função aumenta as possibilidades de escolha. Por isso, não vejo a parceria entre João Pedro e Estêvão como uma formação que necessariamente deveria ser utilizada em todas as partidas. A proposta faria mais sentido como uma opção tática adaptável às características dos adversários.
O desenvolvimento do jovem brasileiro também precisa ser considerado. Estêvão ainda está em processo de adaptação às exigências do futebol inglês, que cobra intensidade física e rapidez nas decisões. Atuar próximo de um companheiro com características associativas como João Pedro poderia facilitar sua participação coletiva, oferecendo opções de passe e reduzindo a necessidade de resolver todas as jogadas individualmente.
Na minha avaliação, Xabi Alonso tem motivos para explorar essa combinação ao longo da temporada. João Pedro oferece mobilidade, capacidade de finalização e participação na construção, enquanto Estêvão acrescenta improvisação, dribles e agressividade pelos lados. Se o treinador conseguir organizar essas características sem comprometer o equilíbrio defensivo, o Chelsea poderá ganhar uma alternativa ofensiva mais dinâmica e menos dependente de ações individuais.




