Florian Wirtz chegou ao Liverpool cercado por uma expectativa que dificilmente desapareceria depois de apenas uma temporada. Quando um clube investe £116 milhões em um jogador, qualquer sequência sem gols naturalmente aumenta a discussão sobre aquilo que ele está entregando. Neste começo de Premier League, o alemão foi titular nas quatro partidas, disputou 333 minutos e conseguiu somente uma assistência. São números discretos para alguém de quem se espera protagonismo.
Ainda assim, considero perigoso transformar esses números na única maneira de avaliar seu momento. Wirtz está longe de apresentar tudo aquilo que pode oferecer ao Liverpool, principalmente com a bola, mas não vejo um jogador completamente perdido dentro da equipe. Iraola também parece enxergar dessa maneira. O treinador destacou sua atuação contra o Atlético de Madrid e afirmou que algumas oportunidades criadas pelo meia poderiam ter terminado em assistências caso fossem melhor aproveitadas pelos companheiros.
O que começa a me preocupar um pouco mais é a dificuldade para aparecer nos momentos em que o Liverpool precisa encontrar soluções contra adversários fechados. O empate sem gols diante do Fulham expôs isso. Wirtz e Alexander Isak tiveram pouca influência nas zonas mais perigosas, enquanto a equipe encontrou enorme dificuldade para quebrar as linhas adversárias. Para um jogador contratado justamente pela criatividade, essas são as partidas nas quais espero que ele comece a fazer diferença.
Também existe uma diferença importante entre trabalhar muito e decidir partidas. Iraola revelou que o alemão percorreu mais distância do que qualquer companheiro nos últimos três jogos e destacou sua contribuição para o funcionamento coletivo. Isso mostra comprometimento e ajuda a entender por que continua recebendo confiança. Ao mesmo tempo, acredito que chegará um momento em que o desempenho sem a bola precisará ser acompanhado de uma influência ofensiva maior.

Liverpool também precisa ajudar Florian Wirtz
É justamente aqui que considero injusto colocar toda a responsabilidade sobre o alemão. O Liverpool ainda parece uma equipe em construção sob o comando de Iraola. São três empates nas quatro primeiras rodadas da Premier League, e o próprio treinador reconheceu falta de energia no 0 a 0 contra o Fulham. Quando praticamente todo o sistema ofensivo encontra dificuldades, responsabilizar exclusivamente o principal jogador criativo parece simplificar demais um problema coletivo.
Existe também uma adaptação acontecendo ao redor de Wirtz. O ataque ganhou novos jogadores e Iraola reconheceu que essas relações ainda precisam ser desenvolvidas. O treinador citou especificamente a necessidade de o camisa 7 compreender onde seus novos companheiros preferem receber a bola. Para um jogador que depende tanto de movimentos ao seu redor para encontrar passes entre linhas, essa conexão pode determinar quanto de sua criatividade realmente aparecerá.
Isso não significa que o valor investido pelo Liverpool deva ser ignorado. Pelo contrário. £116 milhões colocam Wirtz em uma categoria na qual apenas participar da construção provavelmente não será suficiente durante toda a temporada. Ele foi contratado para produzir algo diferente, encontrar espaços que outros jogadores não enxergam e transformar partidas difíceis. Uma assistência em quatro rodadas ainda representa pouco diante desse tamanho de expectativa, mesmo considerando todas as circunstâncias.
Meia precisa render o esperado
Por fim, não considero que Wirtz tenha começado a temporada em um nível suficiente para afastar as cobranças, mas também acho cedo demais para transformar seu rendimento em preocupação definitiva. Iraola tem razão quando pede uma avaliação que vá além dos números, só que o próprio alemão sabe que eles eventualmente precisarão aparecer e o ‘timming’ passa a cada dia.




