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Direto da Redação

Análise: Mac Allister ganha liberdade para chegar à área e amplia alternativas ofensivas de Iraola

Argentino marca duas vezes na virada sobre o Villarreal e mostra como suas movimentações podem aumentar a presença ofensiva do Liverpool

Alexis Mac Allister of Liverpool celebrates scoring his team's first goal during the UEFA Champions League 2025/26 League Phase MD8 match between Liverpool FC and Qarabag FK at Anfield on January 28, 2026 in Liverpool, England.
© Getty ImagesAlexis Mac Allister of Liverpool celebrates scoring his team's first goal during the UEFA Champions League 2025/26 League Phase MD8 match between Liverpool FC and Qarabag FK at Anfield on January 28, 2026 in Liverpool, England.

O Liverpool encontrou em Alexis Mac Allister uma resposta importante durante a vitória por 4 a 3 sobre o Villarreal, pela Champions League. O argentino marcou duas vezes e teve participação decisiva na recuperação da equipe comandada por Andoni Iraola, que chegou a estar perdendo por dois gols de diferença em Anfield. Mais do que o resultado, a atuação mostrou como a presença do meio-campista em regiões próximas da área pode acrescentar uma alternativa ofensiva ao time inglês.

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A contribuição do camisa 10 chamou atenção pela maneira como apareceu nos momentos decisivos. Aos 36 minutos, aproveitou uma cobrança de escanteio de Kostas Tsimikas para diminuir a desvantagem com uma cabeçada. Na segunda etapa, voltou a marcar depois de participar da construção da jogada e avançar para receber o cruzamento de Rio Ngumoha. Foram dois gols com características diferentes, mas que evidenciaram sua capacidade de reconhecer espaços e escolher o momento de atacar.

Considero que esse comportamento merece atenção porque Mac Allister costuma ser associado principalmente à organização das jogadas e à qualidade de seus passes. Contra o Villarreal, demonstrou que também pode oferecer soluções mais próximas do gol adversário. A mudança de posicionamento não precisa representar uma transformação definitiva em sua função. O ponto interessante é a possibilidade de alternar responsabilidades durante a partida, dependendo da distribuição dos companheiros no meio-campo.

Mac Allister mostrou como pode chegar à área sem abandonar a criação

O segundo gol oferece o exemplo mais claro dessa versatilidade. O argentino encontrou Ngumoha aberto pela direita e, em vez de permanecer distante da jogada, acompanhou o avanço do atacante. O jovem superou a marcação e realizou o passe para trás, permitindo que o companheiro finalizasse de primeira. A movimentação foi importante porque Mac Allister não apareceu como um centroavante fixo, mas como um jogador que reconheceu o espaço disponível e aproveitou a oportunidade.

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Esse tipo de chegada pode ajudar o Liverpool a aumentar a quantidade de jogadores envolvidos nas finalizações. Quando os atacantes atraem a atenção dos defensores, os meio-campistas encontram oportunidades para avançar sem receber acompanhamento imediato. Foi justamente o que aconteceu na jogada construída com Ngumoha. O argentino participou da criação e apareceu na conclusão, oferecendo uma alternativa que dificulta a distribuição da marcação adversária.

O primeiro gol também revelou uma característica relevante, embora tenha surgido em uma situação diferente. Mac Allister atacou a bola levantada por Tsimikas e venceu a disputa aérea para marcar de cabeça. A jogada não representa uma mudança tática na circulação ofensiva, mas reforça a importância de sua leitura de espaço. Mesmo sem ter grande estatura, o jogador conseguiu se antecipar à marcação e encontrar uma posição favorável para finalizar.

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A atuação ganha ainda mais importância quando observamos as dificuldades enfrentadas pelo Liverpool no início do confronto. O Villarreal abriu dois gols de vantagem e encontrou espaços para acelerar suas jogadas. Nesse cenário, a equipe inglesa precisava reagir sem perder completamente a organização. A participação de Mac Allister ajudou a modificar o andamento da partida, enquanto Ronald Araújo, Florian Wirtz e os demais companheiros contribuíram para completar a virada.

Iraola pode aproveitar movimentações do argentino para diversificar o ataque

O desafio de Andoni Iraola será encontrar situações em que o avanço do argentino não comprometa a proteção do meio-campo. A possibilidade de atacar a área depende da ocupação dos espaços deixados para trás e da participação dos demais jogadores na recuperação da bola. Não basta oferecer liberdade ao camisa 10. É necessário construir uma organização coletiva que permita aproveitar sua presença ofensiva sem ampliar os problemas defensivos apresentados diante do Villarreal.

Ryan Gravenberch pode ter importância nesse funcionamento por sua capacidade de atuar em diferentes regiões do campo. Contra os espanhóis, o neerlandês começou em uma função mais adiantada e passou por ajustes durante a partida, inclusive sendo deslocado para a lateral direita. Essas mudanças demonstraram a flexibilidade utilizada por Iraola, mas também reforçaram a necessidade de equilibrar as responsabilidades dos meio-campistas conforme a formação escolhida.

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A entrada de Florian Wirtz no intervalo acrescentou outra possibilidade de criação. O alemão encontrou espaços entre os setores, participou da melhora ofensiva e marcou o quarto gol do Liverpool. Sua presença permite imaginar diferentes combinações com Mac Allister, principalmente quando o argentino participa da construção em regiões mais recuadas e depois acompanha a jogada. Entretanto, essa alternativa depende de ajustes para evitar que ambos ocupem os mesmos espaços.

Ngumoha também teve papel importante nessa dinâmica. O jovem ofereceu profundidade pela direita e criou dificuldades para os defensores do Villarreal com suas acelerações. A jogada do terceiro gol mostrou como um atacante capaz de superar a marcação pode favorecer a chegada de um meio-campista. Quando existe uma opção de passe para trás, o jogador que vem de frente encontra melhores condições para finalizar, sem precisar disputar espaço diretamente com os zagueiros.

Liverpool precisa transformar eficiência ofensiva em equilíbrio coletivo

A vitória na Champions League mostrou a força ofensiva do Liverpool, mas também deixou problemas que Iraola precisará corrigir. A equipe sofreu três gols e permitiu que o Villarreal encontrasse espaços importantes, especialmente no primeiro tempo. O desempenho de Mac Allister foi decisivo para a recuperação, mas não elimina a necessidade de melhorar a organização defensiva. A equipe precisa encontrar maneiras de atacar com mais jogadores sem ficar excessivamente exposta quando perde a posse.

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Nesse contexto, a liberdade ofensiva do argentino deve ser utilizada de maneira seletiva. Em determinados momentos, sua presença na entrada da área pode aumentar as opções de finalização. Em outros, será mais importante permanecer próximo dos companheiros para organizar a circulação e impedir contra-ataques. A capacidade de interpretar essas situações pode tornar o meio-campista ainda mais valioso, principalmente em confrontos que exigem mudanças durante os 90 minutos.

Também considero importante não reduzir a atuação de Mac Allister aos dois gols. Sua contribuição passa pela qualidade técnica, pela escolha dos passes e pela maneira como participa das diferentes fases do jogo. O lance construído com Ngumoha sintetiza essa combinação, já que o argentino iniciou a ação e depois apareceu para concluí-la. Essa capacidade de alternar funções pode oferecer a Iraola uma solução interessante sem exigir alterações profundas na estrutura ofensiva.

O Liverpool volta suas atenções para o confronto contra o Brighton, pela Premier League, com a oportunidade de aproveitar os aspectos positivos da reação europeia. A atuação de Mac Allister apresenta um caminho para diversificar o ataque, especialmente quando os adversários conseguem limitar os jogadores mais avançados. Se Iraola encontrar o equilíbrio necessário para explorar essas chegadas à área, o argentino poderá ampliar sua influência ofensiva sem deixar de exercer uma função importante na construção das jogadas.

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