Andrey Santos começou a temporada vivendo uma situação que considero bastante interessante para analisar. O Manchester United investiu € 56 milhões, aproximadamente R$ 329 milhões, para tirá-lo do Chelsea e entregou ao brasileiro uma responsabilidade considerável, que é o de ocupar o espaço deixado por Casemiro. Poucos meses depois, porém, o volante ainda tenta transformar o investimento realizado pelo clube em protagonismo dentro de campo.
Para mim, isso não significa que sua contratação tenha começado a dar errado. Estamos falando de um jogador de apenas 22 anos, chegando a outro gigante inglês e precisando conquistar seu espaço praticamente do zero. O que chama atenção é justamente a diferença entre a importância projetada para Andrey quando foi contratado e a utilização que recebeu neste começo de temporada.
Os números ajudam a mostrar esse cenário. Andrey participou de três partidas nas quatro primeiras rodadas da Premier League, mas acumulou somente 83 minutos. Foi titular na estreia contra o Hull City, quando atuou por 66 minutos, e depois recebeu 11 minutos diante do Ipswich e seis contra o Everton. No clássico diante do Manchester City, permaneceu no banco durante toda a partida.

Ancelotti continua acreditando no brasileiro
Enquanto a consolidação no Manchester United ainda não aconteceu, a situação na Seleção Brasileira parece diferente. Carlo Ancelotti colocou Andrey entre os meio-campistas convocados para os amistosos contra Austrália e Índia, justamente no começo do processo de renovação depois da Copa do Mundo. O treinador deixou claro que pretende observar jogadores mais jovens neste novo momento da equipe.
É justamente esse contraste que mais me chama atenção. Andrey ainda não conquistou uma sequência importante no United, mas continua presente nos planos de Ancelotti. Para mim, isso demonstra que sua avaliação não está limitada aos poucos minutos recebidos nesta temporada. O treinador já conhece suas características e parece enxergá-lo como uma das alternativas para a reconstrução do meio-campo brasileiro.
Existe também uma responsabilidade inevitável envolvendo Casemiro. Andrey chegou ao Manchester United depois da saída do experiente volante e foi apresentado como uma opção para ocupar esse espaço no elenco. Ao mesmo tempo, a própria FIFA destacou recentemente que Ancelotti vê o ex-Vasco entre os jogadores capazes de assumir uma função importante no próximo ciclo da Seleção.
Andrey Santos precisa transformar confiança em minutos
Não acredito, porém, que seja justo cobrar de Andrey uma substituição imediata de Casemiro. São jogadores em momentos completamente diferentes da carreira, e tentar transformar o jovem em uma cópia de quem ocupava anteriormente a posição poderia até prejudicar seu desenvolvimento. O mais importante agora é conseguir uma sequência suficiente para mostrar as características que convenceram o United a fazer um investimento tão alto.
Também considero que essa convocação chega em um momento importante justamente por isso. Os amistosos contra Austrália e Índia não possuem peso competitivo e fazem parte de um período no qual Ancelotti pretende experimentar novas alternativas. Se Andrey receber minutos, terá uma oportunidade de mostrar na Seleção aquilo que ainda não conseguiu apresentar com regularidade na equipe inglesa.
Para mim, portanto, os próximos meses podem representar um ponto importante na carreira do brasileiro. Andrey Santos já conseguiu algo difícil: continua valorizado pela Seleção mesmo sem ter conquistado seu espaço definitivo em Manchester. Agora, precisa fazer com que esses dois cenários se aproximem. Se transformar a confiança de Ancelotti em combustível para crescer no United, pode deixar de ser apenas uma alternativa para começar a assumir o protagonismo esperado desde sua contratação.




