Vangelis Pavlidis e Gianluca Prestianni começaram a temporada em ritmos diferentes, mas chegaram ao mesmo lugar: o centro do ataque do Benfica. O grego já soma 14 gols e três assistências em 12 jogos oficiais, enquanto o argentino tem oito gols e duas assistências em 11 partidas. Juntos, são 22 gols em um início de temporada que transformou os dois nos principais nomes ofensivos da equipe.
O mais interessante, porém, não está apenas na quantidade de gols. Para mim, a força dessa combinação está justamente no fato de os dois oferecerem coisas diferentes. Pavlidis é a referência, ocupa a área e dá ao Benfica um ponto de apoio para seus ataques. Prestianni, por outro lado, tem liberdade para partir dos lados, conduzir a bola e aparecer por dentro. Quando essas características se encontram, o adversário precisa lidar com ameaças de naturezas diferentes.
Grego dá ao Benfica uma referência
Pavlidis assumiu novamente o protagonismo de um centroavante que participa diretamente da construção ofensiva, e não apenas da finalização. Na goleada por 7 a 0 sobre o Casa Pia, por exemplo, marcou três vezes e ainda participou da jogada que terminou no gol de Rafa.
Contra o Gil Vicente, o grego voltou a decidir. Marcou duas vezes na virada por 3 a 1, incluindo o pênalti que colocou o Benfica na frente aos 88 minutos. Foi o 14º gol dele na temporada.
O detalhe é que Pavlidis não precisa resolver todas as jogadas. Quando Prestianni consegue atacar espaços e criar desequilíbrio pelo lado, o centroavante passa a ter mais possibilidades de receber em condições favoráveis dentro da área. E essa é uma diferença importante em relação a um ataque excessivamente dependente de seu camisa 9.
Argentino deixou de ser promessa e virou ameaça
É aqui que Prestianni talvez represente a mudança mais interessante. Aos 20 anos, o argentino já não aparece apenas como um jogador talentoso que precisa de tempo para amadurecer. Seus oito gols em 11 partidas mostram que ele passou a interferir diretamente nos resultados.
Os gols também ajudam a entender seu estilo. Contra o Moreirense, Prestianni recebeu ainda no campo de defesa, acelerou pela esquerda, entrou na área e finalizou colocado. Contra o Gil Vicente, fez algo parecido: partiu pelo lado esquerdo, trouxe a bola para o pé direito e acertou o ângulo nos acréscimos. São lances que mostram um jogador capaz de produzir por conta própria, sem depender exclusivamente de uma jogada construída para ele.
Na minha visão, é justamente essa imprevisibilidade que torna a dupla tão interessante. Pavlidis oferece presença e eficiência; Prestianni acrescenta movimento e capacidade de quebrar linhas. Um pode atrair a defesa enquanto o outro encontra espaço. E, quando o Benfica consegue colocar os dois em condições de atacar a última linha, o time passa a ter mais de uma solução para chegar ao gol.

A temporada ainda está no começo, e seria precipitado tratar os 22 gols como garantia de que a dupla manterá esse ritmo até o fim. Mas o sinal mais importante já apareceu: o Benfica não depende de um único protagonista para produzir ofensivamente. Pavlidis continua sendo a referência, enquanto Prestianni ganhou peso suficiente para dividir a responsabilidade. Para Marco Silva, essa talvez seja uma das melhores notícias deste início de trabalho: o ataque encontrou dois jogadores capazes de decidir, mas de maneiras diferentes.




