A comparação feita por Xabi Alonso entre João Pedro e Karim Benzema pode parecer ousada à primeira vista, mas ganha sentido quando o olhar deixa de estar concentrado apenas nos gols. O treinador do Chelsea não apontou o brasileiro como uma cópia do francês. A semelhança está principalmente na maneira como os dois conseguem participar de diferentes zonas do ataque e continuar sendo perigosos perto da área.
Esse talvez seja o aspecto mais interessante de João Pedro atualmente. O brasileiro não precisa permanecer entre os zagueiros para ser útil. Ele pode recuar, receber de costas, conduzir a construção, aparecer pelos lados e, quando a jogada pede, atacar novamente a área. É justamente essa capacidade de mudar de posição sem desaparecer do jogo que aproxima seu perfil do atacante que Benzema se tornou no Real Madrid.
O atacante que não fica preso à área
Benzema foi um dos grandes exemplos de centroavante capaz de jogar para além da função tradicional de camisa 9. No clube espanhol, sua importância não estava apenas em finalizar as jogadas, mas também em abrir espaços, associar-se com os meias e participar da construção antes de aparecer novamente na área. João Pedro apresenta algumas dessas características em uma versão ainda em desenvolvimento.
O brasileiro tem uma qualidade particularmente importante para esse tipo de função: consegue atuar como referência sem necessariamente ficar estático. Quando sai da área, pode oferecer uma linha de passe; quando se aproxima dos lados, cria superioridade; quando retorna ao centro, encontra espaços que ele próprio ajudou a abrir. Isso dá ao ataque do Chelsea uma dinâmica diferente de uma equipe que depende exclusivamente de um finalizador.
A capacidade pelo alto também entra nessa equação. João Pedro não é apenas um atacante de associação pelo chão. Ele tem presença física e qualidade no jogo aéreo, característica destacada pelo próprio Alonso. Essa variedade faz com que o defensor tenha mais dificuldades para antecipar qual será sua próxima ação.
João Pedro ainda precisa construir sua própria história
É justamente aqui que a comparação precisa ser colocada em perspectiva. Benzema passou anos desenvolvendo esse repertório até se transformar em um dos atacantes mais completos de sua geração. João Pedro, aos 24 anos, ainda está construindo esse caminho e precisa transformar suas qualidades em regularidade durante temporadas inteiras.
O início da temporada, porém, mostra por que Alonso está tão entusiasmado. João Pedro foi eleito o melhor jogador da Premier League em agosto e começou a campanha participando diretamente de gols dos Blues. Desde o início de 2026, nenhum jogador da liga inglesa marcou mais vezes em todas as competições do que o brasileiro, segundo o próprio clube.
Mais importante do que reproduzir os números de Benzema é entender o tipo de atacante que João Pedro está se tornando. O brasileiro pode ser um 9 que finaliza, mas também pode ser o jogador que conecta o ataque, arrasta a marcação e cria condições para os companheiros. Se conseguir manter esse repertório com consistência, a comparação feita por Alonso deixará de parecer apenas um elogio de treinador e passará a ser uma referência interessante para entender a evolução de João Pedro.




