O retorno de Éder Militão aos trabalhos com o Real Madrid me parece ganhar uma importância ainda maior diante do momento vivido pela defesa. Depois de aproximadamente cinco meses afastado, o brasileiro voltou a participar das atividades com seus companheiros e começa a entrar na etapa final de um processo que exigiu bastante cautela do departamento médico.
Ele sofreu em abril uma ruptura no tendão proximal do bíceps femoral da perna esquerda e precisou passar por cirurgia. A gravidade do problema fez com que o zagueiro perdesse a reta final da última temporada e também a Copa do Mundo. Agora, sua reintegração gradual ao grupo representa um dos passos mais importantes desde o início da recuperação.
O avanço, porém, ainda não significa liberação imediata para competir. O brasileiro precisa recuperar condicionamento depois de um período tão longo sem partidas, e o Real ainda não estabeleceu publicamente uma data definitiva para sua volta. Essa diferença entre estar novamente no treinamento e ficar disponível para Mourinho precisa ser considerada.
Problemas na defesa aumentam importância do brasileiro
O que muda o peso dessa recuperação é justamente aquilo que acontece ao redor de Militão. Nesta quarta-feira (30), a equipe espanhola nformou que Raúl Asencio será submetido a uma cirurgia por causa de uma fratura por estresse na tíbia direita. O defensor já havia enfrentado problemas físicos desde o começo da temporada e agora volta a deixar Mourinho com uma opção a menos.
Ao mesmo tempo, Ibrahima Konaté também está em recuperação. O próprio Real Madrid informou na atualização de seus treinamentos que o francês segue trabalhando separadamente, assim como Mbappé, Mendy, Valverde e Rodrygo. O cenário ajuda a explicar por que cada avanço de Militão passa a ser acompanhado com ainda mais atenção em Valdebebas.
Para mim, existe também uma questão de característica. Mourinho começou a temporada utilizando principalmente Konaté e Dean Huijsen no centro da defesa, com Antonio Rüdiger aparecendo entre as alternativas. Recuperar Militão acrescentaria outro perfil ao setor e, principalmente, aumentaria as possibilidades de rotação em uma temporada longa.
Mourinho pode ganhar uma alternativa importante
A cautela adotada pelo Real Madrid faz sentido. Ainda em agosto, quando perguntado sobre os lesionados, Mourinho colocou Militão entre os processos de recuperação mais complicados e deixou claro que não pretendia acelerar retornos apenas pela necessidade imediata da equipe. O cenário agora é diferente porque o brasileiro finalmente conseguiu voltar ao trabalho coletivo.
Militão participou da atividade de segunda-feira e voltou a trabalhar com os companheiros no dia seguinte. A sequência não estabelece uma data para seu retorno, mas mostra que a recuperação entrou em uma nova fase justamente enquanto a defesa sofre outra baixa.
Por isso, vejo o brasileiro como uma possível mudança importante no cenário defensivo do Real Madrid, mas não como uma solução que Mourinho já possa utilizar. Primeiro será necessário recuperar ritmo e condição física para suportar novamente uma partida oficial. Depois de tantos meses afastado, qualquer antecipação seria desnecessária.
A diferença é que, pela primeira vez em muito tempo, Mourinho consegue enxergar a volta de Militão no horizonte. Em uma defesa que acaba de perder Asencio e ainda acompanha a recuperação de Konaté, recuperar o brasileiro em boas condições pode devolver ao treinador uma alternativa importante para administrar o setor durante os próximos meses.




