Havia um roteiro praticamente escrito para o El Clásico: o Barcelona confirmaria seu favoritismo diante de um Real Madrid que ainda buscava recuperar o melhor futebol. José Mourinho, entretanto, decidiu escrever outra história. A vitória por 2 a 1 no Camp Nou, no domingo (25), mostrou que nunca é prudente subestimar a equipe do Santiago Bernabéu, que pode transformar o clássico em um possível ponto de virada na temporada 2026/27.
Real Madrid engata sequência positiva
O resultado foi construído com eficiência e capacidade de reação. Kylian Mbappé abriu o placar aos 41 minutos, mas Raphinha empatou para o Barcelona aos 61. Quando o confronto parecia caminhar para a igualdade, o francês voltou a aparecer e marcou o gol da vitória aos 87.
Os números mostram o contraste entre as estratégias. O Barça terminou com 62% de posse de bola e 18 finalizações, enquanto o Real teve apenas 38% e concluiu dez vezes. A equipe de Flick apresentou maior volume ofensivo, mas não conseguiu conquistar o resultado. Mourinho soube explorar os momentos de vulnerabilidade do adversário, e Mbappé transformou duas oportunidades em gols.
Existe também um aspecto emocional que não pode ser ignorado. O time merengue não começou a temporada como esperava, mas encontrou uma reação importante. São cinco vitórias consecutivas diante de Barcelona, RB Leipzig, Sevilla, Roma e Villarreal, uma sequência superior à apresentada pelo rival catalão no mesmo período.
Em La Liga, o clube voltou a se aproximar das primeiras posições, enquanto na Champions League integra o grupo com 100% de aproveitamento, ao lado de PSG, Aston Villa, Liverpool e Real Betis. Ainda considero cedo para afirmar que todos os problemas foram resolvidos, mas a evolução indica que Mourinho encontrou respostas importantes para consolidar a recuperação.
Como José Mourinho parou Hansi Flick?
O tamanho do feito fica mais evidente diante do adversário. O rival havia vencido suas nove primeiras partidas de La Liga e alcançado 39 gols até a nona rodada. Mourinho compreendeu que disputar a posse de bola não seria o melhor caminho e priorizou a proteção dos espaços centrais. Bellingham acompanhou Rodri, Bernardo Silva limitou Pedri e Tchouaméni ficou atento a Fermín López.
A organização dos corredores também foi importante. Marc Cucurella precisou controlar Lamine Yamal, enquanto Federico Valverde atuou pela lateral direita diante de Anthony Gordon. A proposta era reduzir as situações em que os pontas recebiam em vantagem. Ao mesmo tempo, Yan Diomande ofereceu velocidade pela esquerda e preocupou a defesa adversária.
O maior mérito de Mourinho, na minha avaliação, foi transformar a linha defensiva adiantada do Barcelona em uma fragilidade. Mbappé encontrou espaços para atacar a profundidade, enquanto Bellingham e Arda Güler aceleraram as transições. O Real não dominou todo o confronto, mas executou um plano adequado às características de seus jogadores.

Imagem gerada pelo ChatGPT.
Quais são os próximos jogos do Real Madrid?
Para confirmar que o El Clásico representou uma mudança de rumo, o Real Madrid precisará manter o desempenho nas próximas partidas. O calendário oferece uma sequência que considero favorável: Racing Club, Valencia e Celta de Vigo serão os próximos adversários em La Liga, enquanto AEK e PSV aparecem no caminho pela Champions League.
A expectativa é que o triunfo no Camp Nou fortaleça a confiança do elenco e dê continuidade ao crescimento coletivo. Entretanto, não basta vencer o Barcelona e voltar a apresentar dificuldades diante de outros adversários. Mourinho precisa demonstrar que a organização defensiva e a eficiência ofensiva não foram soluções exclusivas para o clássico.




