Sem espaço no Real Madrid, Endrick voltou ao radar de Milan e Roma, segundo informações do jornal La Gazzetta dello Sport. Em meio a esse cenário, a equipe de Gian Piero Gasperini surge como um dos destinos que mais combinam com o brasileiro. Aos 20 anos, o atacante precisa principalmente de sequência, e uma mudança para a Itália poderia colocá-lo novamente em uma função de protagonismo.
A situação no Real Madrid ajuda a explicar por que um empréstimo começa a ganhar força. Desde a chegada de José Mourinho, Endrick disputou apenas 10 minutos em partidas oficiais, contra o Elche, enquanto Carlos Espí, seu concorrente direto por espaço no banco, vem recebendo mais oportunidades.
A falta de minutos não significa que Endrick tenha deixado de apresentar características capazes de fazê-lo competir em alto nível. Sua principal virtude continua sendo a verticalidade: é um atacante explosivo, forte no contato e que procura atacar a última linha sempre que encontra espaço. Mesmo sem a altura tradicional de um camisa 9, consegue proteger a bola, girar sobre os defensores e finalizar.
Os números pelo próprio Real Madrid também ajudam a colocar o momento em perspectiva. Somando todas as partidas pelo clube, Endrick possui sete gols e uma assistência em 41 jogos. É um atacante que ainda precisa desenvolver aspectos do jogo associativo e da participação sem a bola, mas a potência, finalização e capacidade de atacar a profundidade continuam fazendo dele uma opção de enorme potencial.
Como Endrick jogaria na Roma?
O modelo de Gasperini pode potencializar justamente aquilo que Endrick tem de melhor. A Roma busca pressionar o adversário em zonas avançadas e acelerar assim que recupera a posse. Para um jogador que depende de explosão, ataque ao espaço e conduções verticais, esse cenário oferece condições muito mais favoráveis para atacar o gol.
Como centroavante, Endrick poderia ocupar a última linha sem necessariamente permanecer preso entre os zagueiros. O natural é abandonar a referência em alguns momentos, cair principalmente pelo lado direito e depois atacar novamente a área. Quando Paulo Dybala recebesse, por exemplo, o brasileiro poderia avançar nas costas da defesa.
Também existe a possibilidade de Gasperini utilizá-lo como segundo atacante. Essa função talvez seja ainda mais adequada porque diminuiria sua responsabilidade de sustentar sozinho o ataque de costas para o gol. Endrick poderia circular ao redor de uma referência, aparecer no espaço entre lateral e zagueiro e receber mais vezes de frente.
A adaptação ainda teria desafios importantes. Gasperini exige intensidade e disciplina de seus atacantes na pressão, algo que obrigaria Endrick a evoluir na leitura de quando pressionar e quais espaços fechar. Fisicamente, o brasileiro possui ferramentas para cumprir a função.
Permanência no Real Madrid ainda pode ser alternativa
A prioridade de Endrick, porém, continua sendo permanecer no Real Madrid, e uma saída só deve ganhar força caso a falta de oportunidades continue. O brasileiro tem contrato até junho de 2030 e ainda pode conquistar espaço se José Mourinho entender que suas características acrescentam algo diferente ao ataque.
O empréstimo ao Lyon no início de 2026 é um argumento importante a favor do atacante. Com sequência, Endrick disputou 21 partidas, marcou oito gols e distribuiu oito assistência pelo clube francês. A passagem mostrou como minutos podem transformar seu impacto: mais do que entrar esporadicamente no fim dos jogos, o brasileiro precisa ganhar confiança, ritmo e desenvolver seu jogo.
Por isso, a decisão para a próxima janela passa menos pelo tamanho de Real Madrid ou Roma e mais pelo espaço que cada projeto pode oferecer. Se Mourinho abrir uma disputa real por minutos, permanecer na Espanha continua fazendo sentido. Caso o cenário atual não mude, trabalhar com Gasperini pode representar exatamente o que Endrick precisa neste momento.




