Humberto Coelho, ex-técnico da Seleção Portuguesa e ex-vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), demonstrou forte preocupação com a recente crise envolvendo Cristiano Ronaldo e o treinador Jorge Jesus. Em entrevista concedida à rádio Renascença, de Portugal, ele lamentou abertamente os rumos tomados após as polêmicas.
“Trata-se de um jogador extraordinário e que fez muito pela seleção nacional e por Portugal e trata-se de uma federação que tem também, enfim, a responsabilidade. Por isso foi pena, foi pena. Tenho pena disso”, frisou.
Em outro momento chave da entrevista, Humberto garantiu que o desgaste poderia ter sido evitado. “Eu sei é que se eu fosse o treinador, isto não acontecia. Isto com certeza. E se fosse jogador também penso que não, porque fui capitão da seleção e acho que não deveria acontecer. Não deveria acontecer. Portanto não sei, sinceramente, o que é que pode acontecer”, declarou.
Punição a Cristiano Ronaldo também é criticada
A polêmica ganhou contornos ainda mais sérios após a punição oficial aplicada ao craque do Al-Nassr. Cristiano Ronaldo foi punido com 30 dias de suspensão e uma multa estipulada em 255 euros por ter abandonado prematuramente a concentração da equipe nacional durante a viagem para a Dinamarca, ao longo da última pausa para jogos internacionais na Liga das Nações.
Embora tenha considerado compreensível a sanção ao atacante, o lendário jogador da seleção portuguesa também não viu a punição financeira anunciada como algo positivo para ambos. Humberto Coelho defendeu que “era importante” que Ronaldo “fosse suspenso”, mas considerou que a medida “não ajuda em nada”.
Pensando no futuro imediato da seleção de seu país, o ex-comandante defendeu que as partes busquem um alinhamento. “Eu gostava que ele voltasse. Tinha de estar tudo de acordo e isso compete ao selecionador, ao presidente e ao Cristiano. Tem de haver um entendimento, mas um entendimento que seja bom. E que as pessoas se responsabilizem”, pontuou.
Liderança e diálogo em discussão na seleção portuguesa
Em outro momento da entrevista, Humberto afirma que CR7 não pode voltar de forma precipitada, com risco de piorar a situação. “Se o regresso não for bem delineado e bem preparado, com responsabilidade, não adianta”. Questionado sobre a manutenção da liderança do atacante, ponderou: “Isso depende tudo dos jogadores, não é? Porque há uma coisa que é importante, parece que os jogadores hoje estão com o Jorge Jesus”, destacou.
Ainda assim, o ex-técnico ressaltou a dimensão do legado deixado pelo camisa 7 ao longo das últimas duas décadas vestindo a camisa de seu país. “Eu acho que ele é de facto o capitão. A gente esteve 20 anos com o Cristiano Ronaldo a apoiar e a andar com a Seleção às costas”, concluiu.




