Gianni Infantino reagiu às cobranças para deixar a presidência da Fifa em meio à crise institucional provocada por uma proposta envolvendo os direitos comerciais das competições da entidade. Em entrevista a “BBC”, o dirigente riu ao ser questionado se havia considerado renunciar.
O presidente da entidade máxima do futebol também afirmou que divergências fazem parte do processo democrático e destacou que diferentes opiniões precisam ser respeitadas. A declaração ocorre em um momento de tensão com confederações importantes, especialmente a Uefa.
Infantino defende mandato após polêmica
A crise começou com a proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma empresa que reuniria os direitos comerciais de competições organizadas pela entidade, incluindo a Copa do Mundo. O plano previa a possibilidade de participação de investidores privados e provocou forte reação entre dirigentes do futebol internacional.
A iniciativa foi abandonada após a repercussão negativa. Dessa maneira, a Uefa e outras entidades questionaram a forma como o projeto foi conduzido e acusaram Infantino de não consultar adequadamente as partes envolvidas antes de apresentar a proposta. A controvérsia também provocou pedidos para que o presidente deixasse o cargo.
Ao comentar a possibilidade de renúncia, Infantino afirmou que sua eleição foi resultado do voto das 211 federações filiadas à Fifa. O dirigente argumentou que, em uma organização global, é natural haver opiniões diferentes, mas ressaltou que a vontade da maioria deve ser respeitada.
A Uefa, porém, continua pressionando por respostas. A entidade europeia exige acesso à documentação relacionada à FFE e cobra mais transparência sobre a elaboração da proposta, mesmo depois de o plano ter sido retirado.
Presidente busca apoio para disputar a reeleição
Paralelamente à crise, Infantino trabalha para fortalecer sua posição política antes da próxima eleição presidencial da Fifa, prevista para março de 2027, no Marrocos. O dirigente pretende concorrer a um novo mandato, enquanto o prazo para a apresentação de candidaturas termina em 18 de novembro de 2026.
Nas últimas semanas, o presidente intensificou os contatos com dirigentes de diferentes regiões e afirmou ter recebido manifestações de apoio de federações africanas e asiáticas. O respaldo da Confederação Asiática de Futebol também representa um avanço importante para sua campanha, depois das divergências provocadas pela proposta comercial.
Com a reeleição no horizonte, Infantino tenta demonstrar que mantém apoio suficiente para continuar no comando da entidade. A pressão por transparência, entretanto, segue como um dos principais desafios de sua gestão, especialmente diante da insatisfação de dirigentes do futebol europeu com a condução do projeto de direitos comerciais.




