Holanda x Alemanha já teria ingredientes suficientes para chamar atenção sem qualquer declaração antes da bola rolar. Desta vez, porém, existe algo que considero ainda mais interessante no confronto: Jürgen Klopp e Xavi Hernández começam novos trabalhos praticamente ao mesmo tempo. O primeiro encontro dos dois acontece justamente em um clássico europeu pela Liga das Nações.
Klopp tratou a situação com o humor que marcou boa parte de sua carreira. Ao falar sobre o pouco tempo disponível para preparar a Alemanha, brincou que conhece pessoalmente mais jogadores holandeses do que o próprio Xavi. O alemão reconheceu, porém, que não sabe se isso representa realmente alguma vantagem. A provocação funciona mais como uma forma de ilustrar o tamanho do desconhecido existente dos dois lados.
A frase ganha ainda mais sentido quando olhamos para o calendário. As seleções se apresentaram na segunda-feira e entram em campo já na quinta. São poucos dias para introduzir conceitos, conhecer características do elenco e preparar um confronto contra um adversário que também passa por mudanças. Para mim, dificilmente seria possível encontrar um cenário mais equilibrado para duas estreias.
Pouco tempo aumenta desafio para os treinadores
Klopp admitiu que nem sequer sabe exatamente aquilo que encontrará do outro lado. Xavi ainda não apresentou sua Holanda em uma partida oficial, portanto não existe um trabalho anterior na seleção que possa servir como referência. Ao mesmo tempo, o espanhol enfrenta problema semelhante porque esta também será a primeira partida da Alemanha sob o comando do ex-técnico do Liverpool.
É justamente por isso que não vejo a declaração como uma demonstração de superioridade. O próprio treinador reconheceu que as duas comissões estão na mesma situação. Sua vantagem está apenas no conhecimento pessoal de alguns holandeses, algo construído principalmente durante os anos em que trabalhou no futebol de clubes. Transformar isso em vantagem dentro de campo dependerá de muito mais.

O alemão, inclusive, revelou que os primeiros dias foram preenchidos por reuniões. Depois de dois anos e três meses sem pisar em um campo de treinamento como técnico, ele precisa transmitir rapidamente aquilo que pretende da Alemanha. Klopp afirmou que deseja ver sua equipe jogar um bom futebol, mas evitou entregar detalhes e indicou que também pretende surpreender Xavi.
Do outro lado existe um treinador igualmente pressionado a estabelecer uma identidade. Xavi chega à Holanda depois de construir praticamente toda sua trajetória como jogador e técnico ligado a uma ideia muito específica de futebol. Ao assumir a seleção holandesa, ele próprio destacou a influência de Johan Cruyff e Rinus Michels em sua formação, criando uma conexão interessante com a tradição do país.
Por isso, acredito que a brincadeira de Klopp oferece apenas a primeira camada de um confronto muito mais interessante. O resultado naturalmente terá peso, mas Holanda x Alemanha também apresentará os primeiros sinais de dois projetos que começam quase simultaneamente. Um treinador diz conhecer mais holandeses que o próprio comandante da Holanda; o outro chega carregando conceitos historicamente ligados ao futebol daquele país.




