Memphis Depay viveu uma reviravolta impressionante no Corinthians em pouco mais de um mês. Em agosto, a torcida pressionou pela renovação do holandês depois que o clube decidiu encerrar as conversas. Agora, após perder o pênalti que poderia levar o duelo contra o Estudiantes para as penalidades, ele virou o principal alvo da revolta corintiana.
Como Memphis Depay passou de pedido da torcida a alvo de protestos?
A mudança começou em 11 de agosto, quando o Corinthians anunciou que não renovaria com Memphis por razões financeiras. A dívida com o atacante era estimada em R$ 42 milhões, podendo chegar a R$ 77 milhões com juros e correções. A pressão da torcida ajudou a reabrir as negociações, e Memphis aceitou reduzir valores para permanecer.
Em 18 de agosto, a renovação até julho de 2028 foi oficializada. O acordo ficou em torno de R$ 135 milhões, segundo o ge, enquanto Memphis abriu mão de uma ajuda de custo de R$ 250 mil mensais e reduziu a verba de marketing de R$ 15,4 milhões para R$ 7,7 milhões. Naquele momento, o atacante era tratado pela torcida como alguém que havia escolhido continuar no clube mesmo depois de uma longa novela.
O roteiro mudou na noite de ontem. Diante do Estudiantes, Memphis teve nos acréscimos a chance de empatar, mas isolou o pênalti e viu o Corinthians perder por 1 a 0 e ser eliminado da Libertadores. Essa foi a terceira cobrança desperdiçada pelo atacante em seis tentativas pelo clube, aumentando o peso do erro em uma noite decisiva.

A revolta ultrapassou o gramado. Memphis foi alvo de xingamentos depois da partida e deixou a Neo Química Arena por uma saída alternativa, sem passar pela zona mista. A ausência pode gerar uma multa de US$ 10 mil, cerca de R$ 51,5 mil, ao Corinthians; além disso, o atacante ainda é alvo de denúncia do Estudiantes na Conmebol por um gesto obsceno feito no jogo de ida.
O capítulo mais recente deixa claro o tamanho da mudança: torcedores picharam os muros do CT do Corinthians pedindo a saída de Memphis Depay. O protesto acontece poucas semanas depois de a Fiel ter pressionado pela renovação e transforma o camisa 10 em símbolo da frustração após a eliminação. É uma inversão rápida de status, ainda mais pesada porque o novo contrato prevê vínculo até 2028 e um compromisso financeiro significativo para o clube.
Hoje Memphis não enfrenta apenas a cobrança por um pênalti perdido. O holandês precisa reconstruir uma relação que parecia fortalecida pela renovação e que agora foi atingida por desempenho, episódios extracampo e protestos. O contrato continua de pé, mas a situação mudou: depois de ser o jogador que a torcida queria manter, Memphis passou a ser aquele que parte dela quer ver fora do Corinthians.




