A vitória da Irlanda por 3 a 0 sobre Israel, neste domingo (27), pela Liga das Nações, ficou marcada por acontecimentos que começaram antes mesmo da bola rolar. Em Debrecen, na Hungria, os jogadores irlandeses entraram em campo com braçadeiras pretas, não participaram do tradicional cumprimento entre as equipes e permaneceram de cabeça baixa durante o hino israelense.
A manifestação foi o resultado de uma semana de forte pressão dentro e fora da seleção. O confronto vinha sendo questionado na Irlanda por causa da guerra em Gaza, enquanto a Federação Irlandesa de Futebol (FAI) já havia defendido que a participação de Israel nas competições europeias fosse suspensa. A Uefa, porém, manteve a partida, e os jogadores precisaram decidir internamente como lidar com o compromisso.
O que levou a seleção irlandesa a chegar ao protesto?
A pressão aumentou depois que Irlanda e Israel foram colocados no mesmo grupo da Liga das Nações. Grupos de torcedores e organizações civis passaram a pedir que a seleção boicotasse os confrontos. Uma carta aberta assinada por mais de 160 representantes do esporte irlandês também pressionou os jogadores a não disputar as partidas.
A FAI também havia pedido à Uefa que suspendesse a Federação Israelense de Futebol, citando a situação provocada pela guerra em Gaza. O pedido não foi aceito, e a federação irlandesa decidiu manter os compromissos previstos no calendário. Os jogos, inclusive, foram transferidos para locais neutros por questões de segurança.
A discussão chegou diretamente ao elenco na véspera do primeiro confronto. O goleiro Gavin Bazunu decidiu deixar a concentração e não participar dos dois jogos contra Israel, justificando a decisão como uma questão de princípio pessoal. Os demais jogadores realizaram uma votação interna e uma maioria significativa optou por disputar a partida.
Jogadores disputaram sem ignorar o protesto na Liga das Nações
A decisão de entrar em campo não significou que o elenco tenha abandonado as manifestações. Depois da votação, os jogadores e a federação estabeleceram algumas medidas para demonstrar o desconforto com a realização do confronto. Entre elas estavam o uso de braçadeiras pretas e a ausência no tradicional aperto de mãos e na troca de flâmulas antes da partida.
Foi exatamente o que aconteceu em Debrecen. Os jogadores irlandeses permaneceram de cabeça baixa durante o hino israelense e não cumprimentaram os adversários antes do início do jogo. A FAI explicou que as braçadeiras representavam uma homenagem a todas as vidas perdidas no conflito.
O episódio também precisa ser entendido dentro de um contexto mais amplo da relação da Irlanda com a questão palestina. O país reconheceu oficialmente o Estado da Palestina em maio de 2024, ao lado de Espanha e Noruega, e a posição da federação sobre a participação de Israel no futebol internacional já vinha sendo discutida antes dos confrontos da Liga das Nações.

Assim, o protesto dos jogadores não surgiu de uma decisão tomada minutos antes da partida. Foi o resultado de uma sequência de acontecimentos: a guerra em Gaza, a pressão de grupos irlandeses pelo boicote, o posicionamento da FAI, a manutenção de Israel nas competições da Uefa e, por fim, a discussão interna entre os próprios atletas sobre como participar do jogo.




