A recente briga nos bastidores da Seleção Portuguesa entre Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo ganhou um novo capítulo com a manifestação de uma das figuras mais respeitadas do futebol do país. Em entrevista ao programa La Tripletta, da Gazzetta dello Sport, o técnico Sérgio Conceição foi na contramão das opiniões da imprensa, torcedores e ex-jogadores.
Sem tomar um lado claro, o ex-técnico do Porto acredita que o assunto ganhou uma dimensão exagerada. “É um tema sensível no meu país. O Cristiano é uma lenda, um dos cinco melhores futebolistas de sempre. Enquanto Jesus é o selecionador, um treinador estimado e com grande experiência. Sinceramente, não me parece justo tomar o partido de um ou de outro”, ponderou.
A crise entre astro e treinador estourou durante a última Data Fifa, quando Cristiano Ronaldo demonstrou profunda irritação ao não sair do banco de reservas no duelo contra a Noruega pela Liga das Nações.
O clima azedou de vez no confronto diante da Dinamarca. Após ser colocado para aquecer no segundo tempo e não entrar na partida, o camisa 7 deixou o campo visivelmente incomodado. Mesmo após reuniões de emergência com a diretoria da federação, o astro publicou um comunicado e abandonou o grupo antes do treino, escancarando a divisão.
Sérgio Conceição defende o filho de polêmica na Juventus
Além desta questão, Conceição utilizou a entrevista no veículo italiano para abordar a polêmica recente vivida por seu filho, o atacante Francisco Conceição, na Juventus. O jovem demonstrou insatisfação e irritação ao ser substituído durante uma partida da Liga Europa contra o Celta de Vigo. Longe de criticar a atitude do filho, o pai fez questão de defender a personalidade do atleta.
“O treinador tem sempre razão. Se Spalletti achou que era melhor fazer aquela substituição, terá tido os seus motivos. Contudo, também se deve compreender a frustração de um jogador que queria dar mais. Na minha equipe quero sempre um jogador que tenha personalidade, em vez de um a quem não importe nada. São episódios normais no futebol“, avaliou.
O treinador aproveitou para criticar o tom exagerado das avaliações feitas pela imprensa sobre o rendimento e o estilo de jogo do jovem ponta. “Sobre o Chico há uma narrativa de que não gosto: é um extremo, não é um ponta de lança. Todo o trabalho que faz, tanto a nível ofensivo como defensivo pelos companheiros, não é valorizado: cria superioridade, corre, finta, abre espaços… Quando joga bem ou marca golo diz-se sempre que pode dar mais, enquanto se não marcar chovem críticas“, afirmou.
Duelo em família e recordações no futebol italiano
Com passagens marcantes no futebol italiano, o treinador comentou sobre sua trajetória recente no Milan e aproveitou para enviar um recado carinhoso ao compatriota Rúben Amorim.
“Quando lá estive, Cardinale nunca foi a Milanello. Penso que me enviou uma mensagem a felicitar após a Supertaça, mas não respondi porque nem sequer tinha o número dele e só a li muito tempo depois… Amorim conheço-o bem: vivemos duelos intensos em Portugal, eu como treinador do FC Porto e ele do Sporting. Desejo-lhe que faça um bom trabalho em Milão“, declarou.




