Carregar Simeone nas costas dentro do Atlético de Madrid provavelmente nunca será algo simples para Giuliano. O sobrenome imediatamente relaciona qualquer discussão sobre sua presença na equipe ao pai e abre questionamentos que outros jogadores dificilmente enfrentariam. Para mim, porém, o dérbi contra o Real Madrid mostrou justamente por que está ficando cada vez mais difícil analisar o jovem apenas como filho do treinador.
Simeone foi crucial contra o Real
O camisa 20 participou diretamente dos dois gols na vitória por 2 a 1. Primeiro, atacou as costas da defesa, recebeu o lançamento de Hancko e obrigou Huijsen a interromper sua progressão dentro da área. O lance terminou em pênalti, expulsão do defensor merengue e gol de Grimaldo. Poucos minutos depois, apareceu novamente pela direita e encontrou Jonathan David com um cruzamento rasteiro no segundo gol.
O que mais me chama atenção, entretanto, não são somente essas duas participações. O atacante reúne várias características historicamente valorizadas por Diego Simeone. Pressiona com intensidade, tem disposição para recompor, velocidade no ataque aos espaços e capacidade de repetir esforços. Essa combinação o transforma em uma peça bastante útil em diferentes momentos de uma partida.
Giuliano começa a justificar espaço com produção
Durante algum tempo, seria compreensível cobrar maior qualidade do jogador no último terço. Entrega nunca pareceu ser exatamente o problema. A questão estava em transformar toda aquela disposição em gols, assistências e jogadas capazes de definir confrontos. É justamente nesse aspecto que acredito existir uma evolução importante neste início de temporada.
Os números ajudam a demonstrar essa mudança. O argentino soma dois gols e duas assistências em sete partidas nesta edição da LaLiga. Mais importante do que observar apenas essas participações, porém, é perceber que cinco aparições aconteceram desde o início. Aos 23 anos, ele deixa gradualmente de ser somente uma alternativa de energia e passa a ocupar uma função mais consistente na estrutura colchonera.
O dérbi talvez tenha sido a melhor demonstração desse crescimento. Em um jogo de enorme pressão, o atacante não precisou balançar as redes para ser determinante. Criou a situação que mudou o confronto e, pouco depois, construiu a jogada do segundo gol. Ainda encontrou fôlego para contribuir defensivamente, característica especialmente valorizada no modelo adotado pela equipe.
Para mim, é justamente aí que a discussão sobre a relação familiar perde força. Ser filho do comandante sempre fará parte de sua trajetória e provavelmente continuará provocando questionamentos quando o desempenho cair. Isso é praticamente inevitável. O que o camisa 20 pode controlar é apresentar argumentos dentro de campo para que sua presença seja avaliada pelo futebol produzido, e não pelo parentesco existente no banco de reservas.
A vitória sobre o Real Madrid não transforma Giuliano automaticamente em uma estrela do Atlético, mas representa mais um passo relevante em sua afirmação. Aos poucos, ele une características que sempre estiveram presentes que são: intensidade, entrega e identificação com o modelo da equipe e uma produção ofensiva maior. Se sustentar essa evolução, ele continuará sendo o sobrenome, mas o protagonismo será cada vez mais explicado pelo próprio jogador.




