O número de brasileiros nas cinco principais ligas europeias caiu para um dos menores níveis deste século. Segundo levantamento de Rafael Reis, do UOL, 76 jogadores começaram a temporada 2026/27 na Premier League, La Liga, Serie A, Bundesliga e Ligue 1, já em 2007/08 eram 157.
Por que o Brasil perdeu espaço na elite europeia?
A redução aparece em praticamente todas as ligas. A Inglaterra lidera com 32 brasileiros, seguida por Itália, com 17, Espanha, com 12, França, com oito, e Alemanha, com sete. A Premier League continua sendo o mercado com maior capacidade financeira para contratar brasileiros.
O próprio futebol brasileiro também mudou. SAFs e receitas maiores permitiram que os clubes aumentassem salários e valores de transferência, dificultando a saída de jogadores para equipes europeias de menor investimento. Segundo a Folha, o Brasil movimentou US$ 460 milhões em vendas na janela de 2026, cerca de R$ 2,3 bilhões.
A “fábrica” brasileira parou de produzir?
O CIES Football Observatory registrou 1.455 brasileiros atuando no exterior em 2026, mantendo o país na liderança mundial. A diferença está no destino: Portugal continua relevante, mas mercados como Japão e Emirados Árabes ganharam espaço.
A janela de 2026 reforça essa mudança. Portugal recebeu 117 brasileiros, enquanto outros mercados também passaram a absorver jogadores que antes buscariam diretamente as grandes ligas. O caminho tradicional de sair do Brasil e rapidamente chegar à elite europeia ficou menos comum.

Também mudou o perfil procurado pelos clubes europeus. Intensidade, disciplina tática e polivalência ganharam peso, embora a qualidade técnica brasileira continue sendo valorizada. Vinícius Júnior, Raphinha, Rodrygo, Endrick, Bruno Guimarães e Gabriel Magalhães mostram que os talentos de alto nível continuam chegando.
A “fábrica” não parou. O Brasil continua formando e exportando jogadores, mas uma parcela menor deles está chegando diretamente às cinco grandes ligas. O mercado interno ficou mais forte, os destinos se multiplicaram e a Europa deixou de ser o único caminho para quem busca uma carreira internacional.




