É de conhecimento geral que o Tottenham mudou bastante desde que Harry Kane deixou o clube e, posteriormente, Son Heung-min também encerrou seu ciclo como grande referência ofensiva da equipe. Treinadores passaram, jogadores chegaram e novas ideias foram colocadas em prática. Mesmo assim, para mim, existe uma questão que continua acompanhando o clube, ninguém conseguiu assumir de maneira consistente o peso que os dois carregavam no ataque.
Não acredito que o problema esteja simplesmente em encontrar outro jogador capaz de repetir os números do inglês ou ser decisivo como o coreano, isso seria estabelecer uma comparação praticamente impossível com as peças que o time tem atualmente em seu escrete.
Investimentos ainda não resolveram o problema
Dominic Solanke foi contratado, outros atacantes chegaram e Roberto De Zerbi recebeu um elenco bastante modificado para desenvolver sua proposta. O Tottenham trouxe dez jogadores na última janela, e nomes como Omar Marmoush, Savio, Mohammed Kudus e Mathys Tel fazem parte das alternativas ofensivas que o treinador tenta encaixar. Para mim, porém, quantidade de opções não significa necessariamente ter uma referência consolidada.
O início desta Premier League deixa esse problema ainda mais evidente. O Tottenham passou as quatro primeiras rodadas sem marcar e chegou a 51 finalizações sem balançar as redes na competição. No último jogo, mesmo indo às redes, perdeu por 3 a 2 para o Aston Villa.
Richarlison deve voltar a ser utilizado?
A situação de Richarlison torna esse cenário ainda mais curioso. O brasileiro ficou fora da lista da Premier League depois de manifestar o desejo de deixar o clube, enquanto De Zerbi afirmou que tentou convencê-lo a permanecer. Não vejo o ‘pombo’ necessariamente como a resposta para tudo, mas sua ausência aumenta a sensação de que o time possui várias peças para o setor e, ao mesmo tempo, ainda procura alguém capaz de assumir responsabilidade nos momentos mais complicados.

Também considero importante separar qualidade individual de funcionamento coletivo. O Tottenham não precisa obrigatoriamente encontrar um “novo Kane” ou um “novo Son”. Talvez essa procura nem faça sentido. O desafio de De Zerbi é fazer com que gols e protagonismo sejam distribuídos entre Solanke, Marmoush, Kudus, Tel e os demais jogadores ofensivos.
De Zerbi precisa criar novas referências
Existe um último ponto que pode ajudar nessa reconstrução. Dejan Kulusevski voltou aos treinamentos depois de um longo período afastado, e De Zerbi chegou a tratar seu retorno como algo semelhante a uma nova contratação. Um jogador com capacidade de criação e associação pode mudar bastante o funcionamento de um ataque que, neste início, tem encontrado dificuldades justamente para transformar posse e volume em produção consistente.
Para mim, portanto, a grande questão do Tottenham não é descobrir quem será o ‘cara’ do elenco. É construir um ataque que finalmente consiga seguir em frente sem depender da lembrança dos dois. O clube já mudou treinador, investiu novamente e reformulou boa parte do elenco, mas o início de 2026/27 mostra que a reconstrução ofensiva ainda está incompleta.




