O Arsenal enfrenta o Leeds United neste sábado (10), pela Premier League, em um momento que exige respostas de Mikel Arteta. A derrota por 3 a 0 para o Brighton, antes da Data Fifa, deixou problemas evidentes, principalmente na organização coletiva. Agora, as condições físicas de Ezri Konsa e Christos Tzolis acrescentam novas preocupações ao planejamento. Enquanto o defensor retornou antecipadamente da seleção inglesa, o atacante sofreu uma lesão muscular representando a Grécia. Considero que essas situações podem antecipar decisões que o técnico ainda teria tempo para amadurecer.
As possíveis ausências representam desafios distintos. O zagueiro oferece experiência, capacidade de antecipação e segurança na proteção dos espaços, enquanto o grego contribui com velocidade e profundidade pelo corredor esquerdo. Perder essas características simultaneamente obrigaria a comissão técnica a encontrar soluções capazes de preservar o funcionamento do conjunto. Vejo nesse cenário uma oportunidade para observar atletas que ainda procuram conquistar maior protagonismo. Entretanto, qualquer alteração precisa considerar não apenas as qualidades individuais, mas também as consequências para os companheiros.
A situação defensiva merece atenção porque William Saliba continua afastado devido a um problema nas costas. Durante esse período, Konsa assumiu responsabilidades ao lado de Gabriel Magalhães, formando uma parceria que procurava ganhar estabilidade. Caso também fique indisponível, o treinador precisará estabelecer outra combinação para enfrentar um adversário interessado em aproveitar os espaços deixados durante as transições. A preocupação aumenta depois dos três gols sofridos na rodada anterior, resultado que expôs dificuldades na proteção da área e na reação às investidas adversárias.
Cristhian Mosquera surge como candidato a ocupar a vaga. O espanhol retomou os treinamentos após enfrentar problemas físicos e reúne condições técnicas para atuar como defensor central, preservando a estrutura habitual do time. Sua presença evitaria improvisações nas laterais e permitiria manter Gabriel em uma função conhecida. Ainda assim, considero necessário avaliar o ritmo competitivo do jovem, principalmente diante da intensidade exigida pelo campeonato inglês. Uma escolha precipitada poderia comprometer justamente a segurança que os londrinos procuram recuperar.
Independentemente de quem seja escalado, o brasileiro terá responsabilidade importante na orientação da última linha. A comunicação entre os defensores, as coberturas e o controle da profundidade serão fundamentais para evitar novas dificuldades. Os laterais também precisarão reconhecer os momentos adequados para avançar, sem deixar grandes distâncias entre os setores. Para mim, o principal desafio não será simplesmente encontrar um substituto para Konsa, mas garantir que a mudança não provoque desequilíbrios capazes de comprometer toda a organização.

Eze pode assumir função diferente após lesão de Tzolis
No setor ofensivo, a situação de Christos Tzolis exige uma abordagem diferente. O grego sofreu uma lesão muscular durante o compromisso de sua seleção contra a Holanda e tem previsão inicial de afastamento de aproximadamente três semanas. Sua indisponibilidade reduz as opções para ocupar a faixa esquerda, especialmente pela capacidade de acelerar jogadas e atacar espaços nas costas dos marcadores. Sem essa profundidade, os Gunners podem precisar modificar a construção das oportunidades, apostando em aproximações e combinações mais frequentes na entrada da área.
Eberechi Eze aparece como uma possibilidade interessante para assumir essa responsabilidade. Ao contrário de um ponta tradicional, o inglês apresenta facilidade para circular por dentro, receber entre linhas e encontrar companheiros em condições favoráveis. Sua utilização poderia aumentar a presença de articuladores nas regiões centrais, oferecendo uma dinâmica diferente daquela proporcionada por Tzolis. Acredito que essa escolha teria potencial para melhorar a circulação ofensiva, desde que o lateral responsável pelo corredor mantenha amplitude suficiente para impedir a concentração excessiva de atletas no mesmo espaço.
Martin Ødegaard seria outro beneficiado por essa configuração. O norueguês possui leitura de jogo para acelerar combinações curtas e identificar deslocamentos próximos da área. Uma aproximação com Eze poderia criar superioridade numérica em determinadas regiões, dificultando a marcação individual e abrindo caminhos para os finalizadores. Entretanto, a presença simultânea de dois articuladores exige movimentos complementares. Sem infiltrações e ataques à profundidade, existe o risco de transformar o domínio territorial em uma sequência de passes sem capacidade real de ameaçar o adversário.
Pelo lado direito, Bukayo Saka continuaria oferecendo uma característica diferente. O inglês consegue enfrentar marcadores, atrair coberturas e produzir situações perigosas mesmo quando recebe distante do gol. Essa capacidade pode ajudar a distribuir melhor as ações, impedindo que a maior parte da criação fique concentrada na faixa oposta. Vejo como fundamental estabelecer conexões entre os corredores, utilizando inversões rápidas e deslocamentos coordenados. Dessa maneira, os londrinos teriam condições de explorar diferentes caminhos até a área, sem depender exclusivamente das iniciativas individuais de seus principais nomes.
Gyökeres pode ganhar protagonismo contra o Leeds
A situação de Kai Havertz também merece atenção. Com o alemão enfrentando problemas musculares, Viktor Gyökeres pode receber uma oportunidade importante como referência ofensiva. O sueco possui força física, capacidade para atacar espaços e facilidade para disputar posições com os zagueiros. Além disso, chega após marcar quatro gols em quatro partidas pela seleção durante a Data Fifa. Considero que esse desempenho pode representar um estímulo importante para um centroavante que ainda procura transformar suas características em maior influência dentro do sistema de Arteta.
Uma formação com Eze e Gyökeres permitiria explorar movimentos complementares. Enquanto o meia buscaria aproximações e passes entre os defensores, o atacante poderia atacar a última linha e aproveitar os espaços criados pelas combinações. A participação de Ødegaard ampliaria as possibilidades de construção, enquanto Saka permaneceria como ameaça pelo corredor direito. Entretanto, o funcionamento dessa proposta dependeria da velocidade das decisões e da ocupação adequada das regiões próximas à área. Sem esses cuidados, o aumento da posse dificilmente seria suficiente para melhorar a produção ofensiva.
Acredito que o confronto diante do Leeds será um teste importante para a capacidade de adaptação do treinador. Depois do resultado negativo contra o Brighton, recuperar a consistência coletiva tornou-se uma necessidade, independentemente dos desfalques. Mosquera representa uma possibilidade para reorganizar a defesa, enquanto Eze pode oferecer novas conexões no ataque. Mais do que substituir peças, Arteta precisa encontrar uma formação capaz de preservar a segurança sem comprometer a criatividade. Se conseguir equilibrar essas exigências, as mudanças poderão contribuir para uma resposta convincente na Premier League.




