O Atlético de Madrid começa a encontrar a estabilidade defensiva que faltou durante os primeiros compromissos da temporada 2026/27. A vitória por 2 a 0 sobre o Manchester United, pela Champions League, reforçou os sinais de evolução apresentados nas últimas semanas. Nesse processo, Cristian Romero assumiu uma responsabilidade importante dentro da equipe comandada por Diego Simeone. Considero que a presença do argentino oferece mais do que segurança individual, pois também influencia o posicionamento dos companheiros e a maneira como os espanhóis enfrentam adversários que procuram acelerar suas jogadas.
Contratado junto ao Tottenham por 40 milhões de euros, o defensor chegou ao clube madrilenho em agosto para participar de uma reformulação significativa no setor. Aos 28 anos, trouxe experiência internacional, agressividade nos duelos e capacidade para antecipar movimentos ofensivos. Seu vínculo vai até junho de 2031, demonstrando que a diretoria pretende construir uma estrutura duradoura ao redor de jogadores capazes de assumir protagonismo. Acredito que essa decisão pode ajudar Simeone a estabelecer uma identidade mais consistente depois das dificuldades observadas anteriormente.
Os resultados recentes oferecem argumentos para essa avaliação. Segundo levantamento divulgado pela Europa Press, o Atlético manteve sua meta intacta em cinco dos dez primeiros jogos da campanha, incluindo três dos últimos cinco compromissos. Com Romero entre os titulares, a equipe venceu cinco de seis partidas e sofreu apenas quatro gols nesse recorte. Esses números não permitem atribuir toda a recuperação ao zagueiro, mas ajudam a identificar uma mudança coletiva importante, especialmente em um momento no qual o treinador procura equilibrar intensidade e organização.
O confronto contra o Manchester United apresentou um exemplo dessa transformação. Embora os ingleses tenham criado oportunidades durante o segundo tempo, o Atlético conseguiu resistir aos momentos de pressão e terminou a partida sem sofrer gols. Jan Oblak também foi decisivo com intervenções importantes, enquanto Romero participou da contenção das investidas adversárias. Na minha avaliação, o resultado mostra uma evolução relevante, mas não significa que todos os problemas tenham desaparecido. A equipe ainda precisa reduzir as situações em que permite finalizações perigosas.
Cristian Romero oferece antecipação e liderança ao sistema de Simeone
Uma das principais qualidades do argentino está na leitura das movimentações antes que o adversário consiga receber em condições favoráveis. Em vez de esperar pelo confronto dentro da área, costuma avançar para disputar a posse e interromper combinações próximas à última linha. Essa característica pode ajudar o Atlético a defender em uma posição mais adiantada, diminuindo o espaço disponível para os atacantes. Entretanto, considero fundamental que suas iniciativas estejam acompanhadas por uma cobertura adequada, evitando que uma antecipação malsucedida exponha os companheiros.

A atuação diante do Osasuna, em setembro, já havia apresentado indícios dessa influência. Na ocasião, o jornal AS destacou que o defensor venceu oito dos nove duelos disputados e não foi superado em dribles. O desempenho chamou atenção pela combinação entre imposição física e inteligência posicional. Mais do que buscar divididas constantemente, Romero demonstrou capacidade para reconhecer o momento adequado de intervir. Esse tipo de comportamento é especialmente valioso para Simeone, cuja organização depende da coordenação entre pressão, cobertura e proteção da área.
A parceria com Dávid Hancko também merece destaque. Enquanto o argentino oferece agressividade para disputar bolas e acompanhar adversários que recuam para receber, o eslovaco pode contribuir com posicionamento e proteção dos espaços deixados pelo companheiro. Essa distribuição de responsabilidades permite imaginar uma dupla complementar, desde que ambos mantenham comunicação constante. Acredito que a evolução do Atlético passa pela construção desse entendimento, principalmente contra equipes que utilizam movimentações rápidas para afastar os zagueiros de suas posições.
Outro aspecto importante envolve a participação dos laterais. Alejandro Grimaldo e Marcos Llorente possuem características que favorecem avanços pelos corredores, oferecendo amplitude e alternativas na construção ofensiva. Entretanto, essas movimentações podem criar espaços para contra-ataques quando a posse é perdida. Nesse cenário, Romero precisa reconhecer quando deve abandonar sua posição para proteger o lado direito e quando é mais seguro permanecer próximo de Hancko. O funcionamento coletivo depende dessa leitura, mas também exige que os meio-campistas participem da recomposição.
A liderança representa um benefício adicional. O argentino chegou ao Atlético depois de experiências importantes no futebol italiano, inglês e na seleção de seu país. Essa trajetória pode contribuir para orientar companheiros durante momentos de pressão, sobretudo quando a equipe precisa reorganizar suas linhas rapidamente. Não considero que a comunicação de um único jogador seja suficiente para corrigir falhas estruturais, mas sua presença oferece uma referência capaz de ajudar na tomada de decisões. Para Simeone, esse comportamento pode ser tão relevante quanto o desempenho nos confrontos individuais.
Atlético precisa transformar evolução recente em estabilidade defensiva
Apesar da sequência positiva, a vitória sobre o Manchester United também mostrou situações que merecem atenção. Os ingleses conseguiram ameaçar a meta espanhola em diferentes momentos da segunda etapa, obrigando Oblak a realizar defesas importantes. A expulsão de Leny Yoro posteriormente alterou as condições do confronto e facilitou o controle do Atlético até o apito final. Considero que a equipe precisa encontrar soluções para enfrentar períodos de pressão sem depender tanto das intervenções de seu goleiro ou de acontecimentos favoráveis durante a partida.
Uma alternativa seria melhorar a proteção oferecida pelos jogadores posicionados à frente da defesa. Quando os volantes conseguem impedir passes verticais e acompanhar adversários entre as linhas, os zagueiros enfrentam menos situações de inferioridade. Pablo Barrios e Johnny Cardoso participaram desse trabalho contra os ingleses, especialmente na disputa pelas segundas bolas. Entretanto, o equilíbrio precisa ser mantido também durante as transições, quando os laterais estão adiantados e os espaços centrais podem ficar desprotegidos. Essa organização permitiria aproveitar melhor as qualidades de Romero.
A possibilidade de atuar com uma linha defensiva mais alta também exige atenção. O argentino possui velocidade de reação e capacidade para disputar bolas antecipadamente, mas qualquer sistema baseado em pressão precisa funcionar de maneira coordenada. Se os atacantes não conseguirem dificultar a construção adversária, os defensores poderão ser obrigados a recuar rapidamente para proteger a profundidade. Na minha avaliação, Simeone deve evitar que a agressividade individual se transforme em exposição coletiva, especialmente diante de equipes com jogadores rápidos e capazes de explorar lançamentos.
O Atlético ainda pode aproveitar a presença de Romero nas bolas paradas ofensivas. Na vitória por 2 a 1 sobre o Alavés, o defensor marcou de cabeça nos minutos finais e garantiu um resultado importante fora de casa. O episódio demonstrou como sua imposição física também pode oferecer alternativas em situações nas quais a construção encontra dificuldades. Entretanto, essa contribuição precisa ser tratada como um complemento, não como sua principal responsabilidade. O objetivo central continua sendo estabelecer uma defesa capaz de proteger Oblak com regularidade.
A reformulação do setor oferece possibilidades interessantes para os próximos meses. Além da chegada do argentino, o clube passou a contar com Grimaldo e manteve peças como Hancko e Marc Pubill, ampliando as opções de Simeone. O desafio agora é transformar características individuais em um funcionamento previsível para os próprios jogadores e difícil de superar pelos adversários. Considero que essa continuidade será decisiva para avaliar a evolução da equipe, porque bons resultados isolados não substituem a necessidade de repetir comportamentos eficientes em diferentes competições.
Na minha avaliação, ele reúne condições para se tornar uma das principais referências defensivas do Atlético de Madrid nesta temporada. Sua capacidade de antecipação, liderança e presença física oferecem recursos importantes para o modelo de Simeone, enquanto os resultados recentes indicam uma recuperação coletiva. Entretanto, a consolidação dependerá da proteção oferecida pelo meio-campo, do posicionamento dos laterais e da coordenação entre os integrantes da última linha. Se conseguir reunir esses elementos, o treinador poderá transformar a melhora atual em uma característica permanente de sua equipe.




