A FIFA se prepara para apresentar uma justificativa para a decisão que permitiu ao atacante Folarin Balogun, da seleção dos Estados Unidos, disputar as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, apesar de ter sido expulso na partida anterior. A entidade pretende argumentar que o regulamento disciplinar não era suficientemente claro para lidar com o caso.
Segundo informações publicadas pelo jornal espanhol “Marca”, a justificativa será apresentada durante uma reunião do Conselho da FIFA prevista para quinta-feira (15). O episódio provocou questionamentos sobre a aplicação das regras e levantou suspeitas de possível interferência política, especialmente após a divulgação de uma ligação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o mandatário da entidade, Gianni Infantino.
FIFA alega falta de clareza no regulamento para justificar caso Balogun
Balogun recebeu cartão vermelho na partida contra a Bósnia e Herzegovina, em 1º de julho, e inicialmente deveria cumprir suspensão automática no confronto seguinte. No entanto, o Comitê Disciplinar da FIFA decidiu suspender a execução da punição por um período probatório de um ano, permitindo que o atacante enfrentasse a Bélgica nas oitavas de final.
A decisão gerou críticas porque as regras da competição preveem suspensão automática de pelo menos uma partida após um cartão vermelho. A FIFA aplicou o artigo 27 do Código Disciplinar para suspender a execução da sanção, além de impor uma multa de cerca de R$ 200 mil ao jogador. O órgão sustentou que não anulou a expulsão, mas deixou a punição em suspenso sob condições.
Agora, a organização pretende defender sua interpretação do regulamento e considera modificar a redação do artigo 27 para esclarecer em quais circunstâncias a execução de uma sanção pode ser suspensa. A possibilidade de uma alteração no texto também alimenta críticas sobre a tentativa de justificar uma decisão já tomada.
Ligação de Trump com Infantino aumenta pressão sobre a entidade
A controvérsia ganhou outra dimensão depois que Trump confirmou ter conversado com Infantino sobre o episódio. O presidente norte-americano pediu uma revisão da situação de Balogun, enquanto o dirigente da FIFA afirmou que a decisão foi tomada de forma independente pelo Comitê Disciplinar. Infantino negou que a ligação tenha interferido no processo.
A Federação Belga de Futebol também questionou a condução do caso e reclamou da falta de acesso à justificativa completa da decisão. A UEFA e integrantes do Parlamento Europeu estiveram entre os envolvidos nas manifestações de preocupação, ampliando a pressão para que a FIFA explique seus critérios disciplinares.
Apesar da liberação de Balogun, a seleção dos EUA acabou eliminada pela Bélgica, que venceu por 4 a 1 nas oitavas. O resultado, porém, não encerrou o debate sobre a atuação da FIFA e parece estar um pouco longe do fim.




