Quando olho para a possibilidade de Estêvão jogar no Barcelona, vejo uma transferência que faz bastante sentido pelas características do brasileiro, mas não necessariamente pela posição em campo. O atacante atravessa um começo de temporada complicado no Chelsea e soma apenas 23 minutos na Premier League, distribuídos em quatro participações. Suas duas oportunidades como titular aconteceram pela Copa da Liga.
A mudança ocorreu justamente depois da chegada de Xabi Alonso. O ex-Palmeiras teve uma primeira temporada positiva na Inglaterra, mas encontrou concorrência maior no novo cenário ofensivo. João Pedro, Cole Palmer e Morgan Rogers aparecem entre as alternativas utilizadas pelo treinador, enquanto o ponta tenta encontrar novamente uma função que permita sequência.
É nesse contexto que aparece o Barça. Segundo informações do Sport, o clube catalão acompanha a situação do brasileiro. Esse interesse não começou agora, até porque, o talento do atacante já era conhecido pela direção desde sua passagem pelo time paulista, antes de os Blues conseguirem sua contratação.

Lamine Yamal seria o grande dilema no Barcelona
Tecnicamente, consigo enxergar muitos motivos para Estêvão funcionar no gigante espanhol. Sua capacidade de receber aberto, partir para cima do marcador, conduzir em velocidade e entrar em zonas interiores combina com uma equipe que normalmente precisa encontrar soluções contra adversários posicionados em bloco baixo. O problema começa quando observamos onde ele poderia fazer isso.
Lamine Yamal já ocupa justamente o corredor direito em que o brasileiro construiu boa parte de seu futebol. Colocar Estêvão simplesmente para disputar essa posição poderia trocar um problema por outro: ele deixaria um Chelsea no qual busca minutos para chegar a um Barcelona onde encontraria uma das principais estrelas do time diretamente à sua frente. Esse obstáculo já pesou anteriormente na avaliação do clube catalão sobre sua contratação.
Para mim, portanto, uma eventual transferência só seria realmente interessante se viesse acompanhada de uma ideia diferente para seu desenvolvimento. Estêvão possui recursos para gradualmente atuar mais por dentro, como um meia-atacante que parte da direita, encontra espaços entre as linhas e troca de posição com outros jogadores. O próprio debate sobre sua evolução para zonas centrais já existe no Chelsea, embora Cole Palmer também ocupe esse espaço.
Barcelona seria realmente melhor que o Chelsea?
É justamente por isso que eu não trataria o Barcelona automaticamente como um destino melhor. Aos 19 anos, a jovem promessa precisa principalmente de uma equipe capaz de transformar seu talento em participação constante. O nome do clube importa menos do que o plano esportivo apresentado para ele. Trocar Stamford Bridge pelo Camp Nou sem uma função definida poderia apenas mudar o endereço da mesma.




