Bradley Barcola chegou ao Liverpool carregando uma responsabilidade praticamente impossível de ignorar. O clube inglês acertou sua contratação junto ao PSG em uma operação que pode alcançar £123 milhões, depois de uma negociação que se estendeu até os últimos dias da janela. No Brasil, o valor inicialmente divulgado para a transferência ficou na casa dos R$ 839 milhões.
Para mim, uma contratação desse tamanho naturalmente muda a maneira como cada atuação passa a ser observada. Barcola disputou apenas três partidas pelo novo clube até agora e ainda não conseguiu marcar ou dar uma assistência. Foram 27 minutos contra o Ipswich, 59 diante do Atlético de Madrid e outros 71 no empate sem gols com o Fulham.
O número chama atenção, mas ainda considero precipitado transformar esse começo em um problema. O francês chegou praticamente no encerramento da janela e não realizou uma preparação completa com seus novos companheiros. Andoni Iraola, inclusive, explicou depois da partida contra o Atlético que o atacante ainda precisava recuperar ritmo por ter acumulado poucos minutos de pré-temporada no PSG.
Mesmo assim, o tamanho do investimento faz com que a cobrança apareça rapidamente. Ele deixou Paris depois de uma temporada com 13 gols e seis assistências em 49 partidas, além de participar da campanha do bicampeonato europeu. O Liverpool não desembolsou uma quantia tão elevada pensando apenas no futuro, mas também na capacidade do jogador de aumentar imediatamente o nível do setor ofensivo.
Iraola também cobra evolução do ataque
Outro ponto que aumenta a importância das próximas partidas é a cobrança feita por Iraola ao sistema ofensivo. Depois do empate com o Fulham, o treinador deixou claro que espera mais trabalho sem a bola dos seus atacantes. O técnico entende que a pressão precisa começar na frente para que o Liverpool consiga recuperar a posse em regiões mais perigosas do campo.
Esse aspecto pode ser tão importante para Barcola quanto começar a produzir gols e assistências. Para mim, sua adaptação não passa simplesmente por melhorar os números individuais. Ele precisa compreender rapidamente as exigências de um modelo no qual os jogadores ofensivos também possuem responsabilidade fundamental na pressão e na maneira como a equipe recupera a bola.
Também existe uma concorrência que não permite uma adaptação muito longa. Iraola possui diferentes alternativas para montar o ataque e administra um setor que recebeu investimentos pesados. Nesse cenário, cada oportunidade ganha importância, principalmente para um jogador que chegou por uma das maiores cifras da história do Liverpool e precisa construir seu espaço praticamente durante a própria temporada.
Atacante precisa mostrar mais repertório
Por isso, ainda não vejo os três primeiros jogos como motivo suficiente para considerar o francês uma decepção. Existe, porém, uma cobrança que dificilmente desaparecerá enquanto a primeira participação em gol não chegar. O francês recebeu somente 157 minutos até aqui, mas o investimento realizado pelo Liverpool inevitavelmente aumenta as expectativas. A resposta agora precisa aparecer aos poucos dentro de campo, transformando adaptação em protagonismo.




